Policiais acusados de integrarem grupo de extermínio vão a júri popular em junho

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri da comarca de Goiânia, presidirá, no dia 11 de junho de 2019, o júri popular dos policiais militares Vitor Jorge Fernandes (tenente), 35 anos, e os cabos Cláudio Henrique Camargos, 48 anos, Alex Sandro Souza Santos, 44 anos e Ricardo Rodrigues Machado, 38 anos, todos suspeitos de envolvimento na morte de Murillo Alves de Macedo, 26 anos. A sessão terá início às 08h30, no Fórum Cível Heitor Moraes Fleury, no Park Lozandes, em Goiânia.

Os policiais foram presos durante a Operação Sexto Mandamento, deflagrada em 15 de fevereiro de 2011. A investigação foi feita pela Polícia Federal (PF) e a ação levou à prisão dos PMs suspeitos de participar de um grupo de extermínio. Os policiais insistiram em excluir Fritz Figueiredo e Hamilton Neves da abordagem e execução de Murillo Macedo, dando ênfase a morte em confronto com equipe da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam).

Fritz Agapito Figueiredo e Hamilton Costa Neves, não foram mandados a júri popular à época do crime, ocorrido em 27 de agosto de 2010, decisão confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que não reconheceu o recurso especial.

Consta, na denúncia, que no dia 26 de agosto de 2010 Murillo teria roubado um veículo Honda Civic, no Setor Bueno, quando a policial militar, tenente Almeida, manobrava para sair do estacionamento de uma clínica médica. Subtraindo também a pistola portada por um policial militar, que se encontrava no interior do veículo.

No dia seguinte, Fritz Figueiredo e Hamilton Naves, policiais lotados na equipe da Rotam, ambos de folga, mas realizando um serviço particular, os quais tinham seus telefones grampeados por conta de indícios na participação de grupo de extermínio, estabeleceram contato com o Comitê de Política Monetária (COPOM), solicitando verificação da placa de um veículo.

No momento da ligação, os subtenentes trafegava na GO-060, próximo ao PIT Rodeio Clube, em Goiânia, quando teriam avistado o Honda Civic em movimento pela via. A ligação foi direcionada ao COPOM, o contato se estabeleceu com o soldado Mauro, ao qual confirmou tratar-se do veículo roubado da tenente Almeida. Fritz Figueiredo pediu ao COPOM que fizesse contato urgente com a tenente Almeida.

Em sequência, iniciou uma perseguição, solicitando reforço de uma equipe da Rotam. Nesse momento, foi realizado outros contatos telefônicos no trajeto, ora com COPOM e em seguida com o cabo Camargos da Rotam, que já deslocava em apoio, monitorados pela equipe da Delegacia da Polícia Federal (DPF).

Por volta das 19h45, no Jardim Real, na chácara Caveira, os subtenentes da PM, Fritz Figueiredo e Hamilton Neves, à paisana, dispararam contra Murillo Macedo. Na denúncia consta que a equipe da Rotam, composta pelo tenente Vitor, os cabos Camargos, Alex e Machado, que também participaram do crime, chegaram no local do crime às 19h53, assumindo o suposto confronto inexistente.

Fritz Figueiredo e Hamilton Naves abordaram o veículo roubado, quando na gravação do áudio do móvel interceptado ouve-se a ordem de Fritz mandando um dos ocupantes do carro parar. Em seguida, ordenaram que ficassem com a mão na cabeça. Rapidamente ocorre um disparo, quando na sequência passam a perguntar a um segundo abordado pela arma e o que havia na bolsa. O Copom, nesse momento, perde o sinal com os dois subtenentes.

Em seguida, Fritz Figueiredo afirma ao Copom que o veículo pinou. Mas, Fritz Figueiredo, via telefone, mantém conversa com o cabo Camargos, orientando a equipe da Rotam comandada pelo tenente Vitor, a chegar no local do suposto confronto. Quando a equipe da Rotam chega ao local dando cobertura a Fritz Figueiredo e Humberto Naves, assumindo a ocorrência, altera o local do crime e permite a saída do encenado confronto de Fritz Figueiredo e Hamilton Naves.

Mesmo com os integrantes da Rotam alegando forte escuridão, muita poeira e distância do vulto que resistia à abordagem da equipe, conseguiram alvejar Murillo com extrema precisão. Porém, a trajetória dos projéteis foram descendentes, conforme o laudo. Logo, reforçando a execução da vítima inteiramente dominada.

A tenente Almeida esteve no local, onde constatou que nenhum dos disparos realizados pelos policias acusados atingiram seu veículo, em que pese a notícia de fuga, resistência armada e confronto. Em seguida, ela reconhece Murilo Macedo, já morto, como o autor do assalto.

Os policiais da Rotam omitiram a participação de Fritz Figueiredo e Hamilton Neves na abordagem e morte de Murilo Neves, no interrogatório da Polícia Federal, alterando a cena do crime para caracterizar o confronto. Segundo a denúncia, houve uma retirada de um segundo ocupante do veículo Honda Civic conduzido por Murilo, feita por Hamilton e Fritz, cuja identificação e paradeiro é uma incógnita, conforme as conversas gravadas durante a receptação telefônica dos réus no dia e hora do crime.

O tenente Vitor Fernandes, os cabos Cláudio Camargo, Alex Santos e Ricardo Machado, são acusados por homicídio, com qualificadora por motivo torpe, e recurso que impossibilitou a defesa da vítima e execução sumária após abordagem. Fonte: TJGO