“A magistratura é um sacerdócio; estamos aqui para entregar a prestação jurisdicional da melhor forma possível”, diz novo desembargador

Eudélcio ocupará a vaga desprovida com a aposentadoria da desembargadora Avelirdes Almeida Pinheiro de Lemos
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Marília Costa e Silva

Escolhido pelo Órgão Especial pelo critério de antiguidade, Eudélcio Machado Fagundes será empossado como desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), nesta sexta-feira (27), às 10 horas. Ele irá ocupar vaga deixada com a aposentadoria voluntária da colega Avelirdes Pinheiro de Lemos. E, nessa quinta-feira (26), quando já se preparava para o dia em que alcança o sonho de ser desembargador, ele falou com exclusividade, ao Rota Jurídica.

Além de contar um pouco sobre sua trajetória profissional, ele afirmou que tem consciência de que todo magistrado deve ter, antes de tudo, bom senso, e consciência em tratar o jurisdicionado com respeito e sentir os seus anseios como se fossem os seus. “E principalmente, lembrar que a magistratura é um sacerdócio e que estamos aqui para trabalhar para, da melhor maneira entregar a prestação jurisdicional”, frisou.

Natural da zona rural de Pilar de Goiás, e filho dos lavradores Benedito Machado Fagundes e Reguzina Batista Pitaluga, Eudélcio Machado foi alfabetizado pela mãe, que mesmo em meio aos afazeres da roça e da casa, arrumava tempo para ensinar as crianças da região, já que não havia nenhuma escola por perto.

Até os 19 anos, Eudélcio se dedicou exclusivamente ao trabalho na lavoura, e quando teve a oportunidade de cursar o ginasial, conheceu o então juiz da comarca local, João Batista da Silva Neto, que o inspirou e motivou para seguir em frente com os estudos e alcançar a magistratura. Conheça abaixo um pouco mais sobre o novo desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás:

Em sua carreira como magistrado, esperava chegar a desembargador do TJGO? Qual o sentimento em assumir a função?

Na verdade, tudo vem ao seu tempo. Depois de nomeado e empossado, primeiro eu pensava em alcançar comarcas maiores, como a segunda e terceira entrâncias, finalmente, chegar à Capital. Somente após chegar a Goiânia é que, depois de um tempo, vi a possibilidade de chegar no Tribunal de Justiça.

Quanto ao critério pelo qual chegaria, eu sempre soube que chegar por merecimento não seria fácil, pois, mesmo procurando ser um magistrado produtivo e com qualidade e ter angariado respeito entre os colegas, minhas promoções sempre ocorreram por antiguidade, inclusive, para o cargo de Juiz Substituto em Segundo Grau.

Quanto ao sentimento de chegar ao cargo de desembargador, foi com muita alegria, pois sempre confiei que alcançaria, principalmente, por ser uma promessa de Deus em minha vida. Daí, não ter ficado angustiado com a espera, pois sempre soube que chegaria a desembargador, mas que seria na hora de Deus, como de fato o foi.

E eu sempre sonhei em ser juiz. Quando ainda morava no interior, conheci um juiz que tinha uma postura muito séria, mas era uma pessoa muito humana e trabalhadora. Então, quando entrei para a Faculdade de Direito, já tinha em mente me tornar um magistrado e fazer a diferença no JUDICIÁRIO. Depois de formado, vieram os concursos e depois de algum tempo e muito estudar, consegui ser aprovado.

Quais os objetivos a serem alcançados como desembargador e como a experiência adquirida até o momento pode contribuir para o desempenho de suas funções?

Os meus objetivos são os mesmos que me moveram até aqui, ou seja, trabalhar com afinco e com muita responsabilidade junto com meus pares.

Em sua opinião, hoje quais são os desafios da magistratura?

Os desafios da magistratura são inúmeros, desde a sobrecarga de trabalho que aumenta a cada dia, até mesmo a falta de recursos para que sejam aumentados os magistrados no primeiro e segundo graus. Os entraves para que os processos caminhem a contento, a necessidade de verificar corretamente os ritos processuais para fazer que se cumpra o devido processo legal, dentre muitos outros percalços, inclusive, quanto mais se otimizam os trabalhos, tais como a instalação do processo judicial digital, mais aumentam a procura dos jurisdicionados.

Como senhor pode contribuir para enfrentar o desafio de termos uma Justiça mais ágil que tem sido a reivindicação do jurisdicionado?

A minha contribuição para enfrentar os desafios da magistratura será a minha força de trabalho, como a produção com qualidade e coragem para encarar desafios.

Como o Judiciário pode se aproximar da sociedade?

o Judiciário tem se aproximado mais e mais da sociedade, basta ver como ocorre o acesso através do processo eletrônico, no qual qualquer cidadão passou a ter maior acesso aos processos, acompanhando os andamentos processuais e facilitando a realização de audiências e julgamentos via da videoconferência.

E para se aproximar do cidadão, o magistrado deve ter, antes de tudo, bom senso, e consciência em tratar o jurisdicionado com respeito e sentir os seus anseios como se fossem os seus e, principalmente, lembrar que a magistratura é um sacerdócio e que estamos aqui para trabalhar para, da melhor maneira entregar a prestação jurisdicional.

Fale um pouco da sua trajetória profissional

E eu sempre sonhei em ser juiz. Quando ainda morava no interior, conheci um juiz que tinha uma postura muito séria, mas era uma pessoa muito humana e trabalhadora. Então, quando entrei para a Faculdade de Direito, na antiga Universidade Católica de Goiás, já tinha em mente me tornar um magistrado e fazer a diferença no JUDICIÁRIO. Depois de formado, vieram os concursos e depois de algum tempo e muito estudar, consegui ser aprovado. Isso aconteceu em 1987, tendo assumido o cargo em junho de 1988 na longínqua comarca de Araguacema, localizada atualmente no estado do Tocantins.

Exerci a magistratura nas comarcas de Uruana, Itapaci, Carmo do Rio Verde, Itapuranga, Niquelândia e Anápolis, onde esteve como titular da 3ª Vara Cível, e diretor do Foro. Cheguei à comarca da capital em fevereiro de 2000, tendo atuado no 9º Juizado Especial Cível e na 7ª Vara Cível, quando em 2011 fui promovido para o cargo de juiz substituto em 2º grau. E agora serei  desembargador. Não no meu tempo, mas no tempo de Deus.