Resultado das eleições

Neste domingo (26), após o término da contagem dos votos, chega ao fim mais um pleito presidencial e segundo turno em alguns Estados e Distrito Federal. Nos últimos vinte anos, assistimos a competitividade em torno de dois projetos políticos no âmbito presidencial, sendo um representado pelo PSDB, que toma para si a autoria da estabilidade da moeda e do controle da inflação, e outro representado pelo PT, que advoga para si a responsabilidade pela diminuição da pobreza no país e por taxas expressivas de inclusão social.

Neste ano, mais do que em outras eleições, a polarização entre os dois projetos foi destaque, e, apesar da entrada em cena de Marina Silva, após a tragédia com Eduardo Campos que argumentava com um de suas propostas o tédio do brasileiro com a polarização existente. Ocorre que parece que o eleitor escolheu, por mais uma vez pelo enfrentamento dos dois projetos tucanos e petistas.

Em todo o período eleitoral, acompanhamos dia a dia, as mudanças nos rumos que as eleições tomariam. Inicialmente o favoritismo de Dilma e a incerteza de um segundo turno. Depois da metáfora Marina, que demonstrava expectativa de força e mudanças desejadas por alguns cidadãos na condução política, ameaçando a continuidade das raízes já fincadas pelo PT ou mesmo a reconquista do PSDB do poder, afrouxando pelas contradições trazidas pelos seus concorrentes.

Após o resultado positivo e apertado do primeiro turno de Dilma sobre Aécio Neves, o mineiro entrou em cena no segundo turno como preferido e com adesão da ampla maioria dos opositores, com exceção da gaúcha, Luciana Genro do PSOL. Desta forma, o segundo turno iniciaria com exaurimento da candidatura do governo federal atual em favor da oposição, algo histórico no país. Poderes políticos de diversos partidos, como (DEM, PSC, PSDB, PV, PSB entre outros) uniriam para visarem a derrota do PT.

Mergulhados no segundo turno, concentrados em um ou mais pontos, levando alguns à vangloriar os espíritos, através de debates, redes sociais, notamos que qualquer um dois vencedores, a caderneta política já estaria definida, ou seja, os candidatos do PT e PSDB disseram muito em manterem as conquistas alcançadas no últimos anos. Sustentaram também em ampliarem, e, o próprio candidato mineiro destinou um de seus programas de TV para demonstrar seus compromissos em continuar com os programas sociais hoje existentes. Visualizamos em tais assertivas que o compromisso dos dois com a caderneta de inclusão social já em trâmite.

Desta forma, a avaliação dessa campanha foi portadora de uma mutatividade jamais ocorrida, sendo uma eleição que quebrou records, pois mudanças contínuas de cenários, agenda política consolidada, eleitores invariáveis, já que se pesquisado sobre o tema, dirá mais ou menos a mesma coisa, posturas ideológicas transparentes como as atitudes dos candidatos que não apoiaram ninguém nesta extensão das eleições. Todos nós sentimos de alguma forma que estamos ficando velho, percebendo que um dia a sorte se desfaz e temos que trilhar os caminhos sozinhos. Fiquemos mais tranquilos, pois tudo vale, enquanto o motor tiver tração, e as engrenagens girarem, os escapamentos estiverem soltando fumaça, mesmo que com avanços elas virem vapor. Dito isso, esperemos um resultado inesperado nestas eleições neste domingo.
 
*ANDRÉ MARQUES é advogado, consultor, escritor, membro da Comissão de Segurança Pública da OAB/GO e doutorando em Direito. [email protected] / @andremarquesadv