MP apresenta mais duas denúncias contra João de Deus e inclui filho advogado por coação de testemunha

O Ministério Público do Estado Goiás (MP-GO) apresentou mais duas denúncias contra o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus. O filho do médium, o advogado Sandro Teixeira de Oliveira, também foi denunciado por coação e tentativa de corrupção ativa de uma testemunha.  A mulher o médium, Ana Keyla Teixeira, foi denunciada por posse irregular de cinco armas de fogo apreendidas no quarto do casal.

Contra João de Deus as denúncias são estupro de vulnerável, em relação a cinco vítimas, e a outra por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito ou proibido. Os promotores de Justiça da força-tarefa criada para investigar acusações contra o médium informaram que essa terceira denúncia em relação a crime sexual é relativa a cinco vítimas, quatro delas do Estado de São Paulo e uma do Distrito Federal. A peça acusatória foi encaminhada à juíza de Abadiânia, Rosângela Rodrigues dos Santos, que já recebeu outras duas denúncias contra João de Deus.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, Luciano Meireles, e os promotores Gabriella de Queiroz, Paula Moraes e Augusto César Souza detalharam que, até o momento já foram atendidas mais de 310 vítimas, sendo que 160 delas, em todo Brasil, já formalizaram as denúncias por meio de depoimentos. Foi informado ainda que o contato [email protected], criado especialmente para atender à força-tarefa, recebeu mais de 680 emails.

De acordo com os promotores, as vítimas dos cinco casos denunciados ontem tinham entre 23 e 38 anos à época dos fatos, que ocorreram entre março de 2010 e julho de 2016. A vulnerabilidade, conforme esclareceram, deve-se à circunstância de fragilidade na qual as vítimas buscavam o réu para tratamentos espirituais.

Figuram ainda como testemunhas na denúncia outras seis vítimas, cujos crimes estão prescritos. Elas tinham entre 23 e 51 anos à época dos fatos, entre 1996 e 2009. As vítimas, todas mulheres, são dos Estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Nesta mesma peça acusatória foi também denunciado o advogado Sandro Teixeira de Oliveira, filho de João de Deus, que, juntamente com o pai, está sendo acusado de dois crimes contra administração da Justiça: coação no curso do processo e corrupção ativa de testemunha. De acordo com os promotores, Sandro Teixeira estava armado quando coagiu uma testemunha um dia após ela ter comparecido à delegacia. Em depoimento, esta pessoa teria prestado declarações a favor de uma das vítimas, e Sandro teria oferecido vantagens para obter o silêncio dessa testemunha, oferecendo pedras que seriam preciosas.

Para os promotores, é possível perceber que havia uma rede de proteção em torno do réu João de Deus. Desse modo, além de lutar contra a vergonha de apresentar a denúncia de um crime sexual, as vítimas poderiam sofrer ameaças.

Foi pedida novamente nesta ação a decretação de prisão preventiva de João de Deus, assim como novo bloqueio de valores, o qual visa garantir ressarcimento às vítimas em eventual reparação de danos. Quanto a Sandro Teixeira, foi requerida a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, entre elas a proibição de manter contato com as vítimas, de sair da comarca e a necessidade de comparecimento em juízo.

Para os promotores a grande preocupação do Ministério Público é garantir que as vítimas sejam acolhidas e seja garantido a elas a possibilidade de apresentar depoimento. Assim, eles reiteraram a importância da manutenção da prisão do médium.

Posse irregular de arma
A segunda denúncia feita hoje contra o réu e sua mulher, Ana Keyla Teixeira, é por posse irregular de cinco armas de fogo apreendidas no quarto do casal, três delas de uso permitido e duas de uso restrito ou proibido, o que é considerado crime hediondo. Destas duas, uma não possuía marca de identificação e outra estava sem número de série.

Em relação ao dinheiro apreendido na residência do casal, mais de R$ 1,5 milhão, além de notas de dólar, euro e franco suíço, os promotores apontaram que já está em curso investigação sobre eventual prática de lavagem de dinheiro. Fonte: MP-GO