Latam vai demitir 2,7 mil profissionais nos próximos dias. Especialista comenta os impactos

Com as operações prejudicadas pela pandemia, a Latam vai demitir 2,7 mil pilotos, copilotos e comandantes, o que representa 38% da equipe. Os desligamentos serão realizados de forma online, de 7 a 14 de agosto. Para o advogado e professor de direito aeronáutico Georges Ferreira, as demissões irão causar grande impacto na vida destes profissionais, exigindo-lhes a busca por novas formas de ocupação na área.

A empresa travou disputa com os aeronautas para tentar reduzir de forma permanente a remuneração da categoria, enquanto Gol e Azul cortaram de forma temporária. A Latam alega que paga uma remuneração maior do que seus concorrentes no Brasil e que o pleito, anterior à pandemia, ganhou prioridade agora. Os profissionais, entretanto, não aceitaram.

“Em relação aos aeronautas, eles não podem ficar muito tempo sem voar. Pilotos de linhas aéreas precisam ter o mínimo de horas de voo a cada seis meses para manterem a proficiência. Além disso, necessitam de rechecagem anual, realizada em simuladores caríssimos que só as companhias aéreas têm no Brasil. Assim, é evidente que são muitos os impactos que eles sofrerão caso não se ocupem de outra maneira”, analisa Ferreira.

Como é uma proficiência que se perde com o tempo, ela precisa ser atualizada. “Uma alternativa para esses profissionais seriam as empresas de táxis aéreo, que também passam por um momento de crise, mas podem crescer e absorver esses trabalhadores”, opina o especialista.

Recuperação judicial

Outra consequência causada pela pandemia à Latam Brasil foi o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, no último mês. A medida visa “reestruturar seus passivos financeiros e administrar de maneira eficiente sua frota local, mantendo a sua operação normalmente”, de acordo com o comunicado.

O Grupo Latam Airlines e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos já haviam pedido proteção contra credores, o chamado chapter 11, em 26 de maio. O Brasil se juntou a esse grupo. A decisão, informou a companhia, é “um movimento natural diante do prolongamento da pandemia do coronavírus”.