Wítalo de Souza Cruz, de 26 anos, tem chamado a atenção ao usar a criatividade na tentativa de encontrar emprego

Marília Costa e Silva

O advogado Wítalo de Souza Cruz, de 26 anos, tem chamado a atenção ao usar a criatividade na tentativa de encontrar emprego. Desempregado desde 1º de janeiro, quando foi exonerado de um cargo comissionado no governo do Distrito Federal, ele decidiu ir às ruas levando uma grande faixa onde se apresenta como advogado e pede oportunidade para atuar nas áreas jurídica e administrativa.

O local escolhido pelo advogado, que falou ontem com o Rota Jurídica, foi o começo da W3 Norte, em frente ao Brasília Shopping, local de muita movimentação na capital do País. E muita gente já viu, fotografou e compartilhou nas redes sociais imagens de Wítalo. “Com tanta visibilidade,  muita gente tem entrado em contato comigo para se solidarizar-se e me desejar boa sorte”, afirma o advogado, que não sonhava que o caso ganhasse tanta repercussão como aconteceu.

“Eu tinha esperança, ao ir para rua com essa faixa, que as pessoas aqui de Brasília fossem me ver e me dar uma oportunidade de mostrar meu currículo, pois eu enviava o documento para escritórios e empresas mas não chegava sequer a ser chamado para uma entrevista”, conta Wítalo, assegurando que hoje seu caso deixou as barreiras do DF e ganhou o País. “Tenho recebido mensagens de gente de vários estados. São principalmente outros advogados que entram em contato desejando boa sorte e sucesso”, diz.

Alguns, de acordo com  Wítalo,  até oferecem cursos para que ele possa se especializar. Devido o destaque que a iniciativa, Wítalo conta que ontem passou o dia fazendo entrevistas de emprego e que nesta quinta-feira (6) já tem vários compromissos agendados. “Os contatos surgiram mesmo após as pessoas me verem na rua”, frisa.

Wítalo, que tirou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil em abril de 2017, sempre foi proativo. Na época da faculdade, ele fez estágios no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), na Defensoria Pública da União, na Câmara dos Deputados e Conselho Federal de Medicina.

Assim que pegou a OAB, atuou em um escritório e advocacia onde permaneceu alguns meses. Depois sai e ficou alguns meses desempregado, assumindo cargo no governo do DF ano passado. Mas foi exonerado após o “decretão” publicado no início do ano, com a troca de gestão no Palácio do Buriti.