O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) lançou dois novos modelos de linguagem de grande porte voltados à análise de similaridade semântica de textos jurídicos. Desenvolvidos e treinados pela Diretoria de Inteligência Artificial, Estatística e Ciência de Dados (DIACDE), os modelos já estão disponíveis ao público e representam um avanço para a otimização de tarefas judiciais e o fortalecimento da segurança jurídica.
O projeto responde ao aumento expressivo de processos e à necessidade de uniformizar demandas de massa e repetitivas. A identificação automática de casos com teses e fatos semelhantes é considerada estratégica para o Judiciário goiano. Ferramentas já utilizadas, como a BERNA (Busca Eletrônica em Registros usando Linguagem Natural) e a ANA (tradução de termos jurídicos complexos para linguagem simples), dependem dessa capacidade de interpretação precisa.
Modernização da Justiça
O presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, afirmou que a iniciativa marca “um passo decisivo para modernizar a Justiça e torná-la mais ágil, transparente e próxima da sociedade”. Segundo ele, os avanços tecnológicos fortalecem a eficiência do Judiciário e contribuem para uma prestação jurisdicional mais célere, segura e acessível.
O juiz auxiliar da Presidência, Gustavo Assis Garcia, explicou que nem todos os modelos disponíveis publicamente atendem às necessidades do TJGO. “Por isso, treinamos modelos específicos para textos jurídicos. Como eles se mostraram adequados para nossas soluções de IA, decidimos disponibilizá-los também a outros órgãos do sistema de Justiça”, destacou.
Treinamento especializado
De acordo com o diretor da DIACDE, Antônio Pires, o treinamento envolveu um processo rigoroso de fine-tuning, utilizando milhares de fatos e teses jurídicas extraídos de demandas repetitivas, anonimizados para garantir a proteção de dados pessoais. Os modelos de base foram o BERTimbau Large e o STJ Iris, ambos em língua portuguesa, adaptados às especificidades do domínio jurídico.
O treinamento foi realizado em servidor de alta performance NVIDIA DGX A100, permitindo o processamento de grandes volumes de dados e aplicação de técnicas avançadas de aprendizado de máquina. Segundo Pires, os modelos ajustados superaram em desempenho suas versões originais, demonstrando maior capacidade de captar contextos complexos e identificar proximidade semântica entre peças processuais, mesmo com redações distintas.
Inovação aberta e colaboração
Os modelos estão disponíveis gratuitamente na plataforma Hugging Face (https://huggingface.co/DIACDE), catalogados como: BERTimbau Large TJGO – DIACDE e STJ Iris TJGO – DIACDE.
A iniciativa permite que tribunais, Ministérios Públicos, Defensorias e demais instituições do sistema de Justiça utilizem os modelos sem custos, desenvolvendo ou aprimorando suas próprias soluções de inteligência artificial.
A DIACDE já planeja expandir o conjunto de dados de treinamento e explorar arquiteturas mais avançadas, com o objetivo de integrar os novos modelos às ferramentas em produção no TJGO. O foco é oferecer apoio cada vez mais eficaz à magistratura e garantir uma prestação jurisdicional mais célere, coerente e eficaz para a sociedade.
































