O piloto suspeito de transportar mais de 340 quilos de cocaína em um avião monomotor teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (17), em Goiás. Segundo os autos, ele teria incendiado a aeronave após um pouso forçado em uma propriedade rural de Itarumã, no Sudoeste goiano, e fugido para uma área de mata.
A medida foi decretada pelo juiz plantonista Gabriel Carneiro Santos Rodrigues, a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO). A audiência foi acompanhada pelo promotor de Justiça José Soares Júnior.
Além de homologar o flagrante e determinar a prisão preventiva, o magistrado autorizou a quebra do sigilo dos dados telemáticos dos aparelhos apreendidos. Também ordenou a destruição da droga, com preservação de amostra para elaboração do laudo definitivo.
Pouso forçado
Conforme relatado no processo, o suspeito conduzia a aeronave que realizou um pouso forçado em uma fazenda do município. Após a aterrissagem, ele teria ordenado que trabalhadores da propriedade descarregassem a carga de entorpecentes.
Em seguida, ao perceber a aproximação das forças de segurança, o piloto teria colocado fogo no avião e fugido em direção à mata.
Equipes do Comando de Operações de Divisas (COD) e da Polícia Rodoviária Estadual iniciaram buscas na região e montaram um cerco para localizar o investigado.
Durante a operação, os policiais abordaram um veículo nas proximidades do último ponto em que haviam sido encontrados vestígios da fuga. Os três ocupantes teriam apresentado versões contraditórias e, posteriormente, informado que receberam do piloto, por telefone, as coordenadas de seu esconderijo.
Eles conduziram as equipes até o local indicado, onde o suspeito foi preso.
Aparelhos e dinheiro apreendidos
No momento da captura, foram encontrados com o piloto um telefone celular, um aparelho de comunicação via satélite, uma faca e R$ 5.327 em espécie.
Segundo os autos, o investigado também declarou que havia destruído o GPS da aeronave e descartado, em uma área de mata, anotações com coordenadas de pistas de pouso e outras informações relacionadas ao planejamento do voo.
O equipamento não foi localizado. No entanto, os agentes recolheram fragmentos de papel com registros que, conforme a apuração, seriam compatíveis com rotas de navegação aérea.
Risco de fuga
Durante a audiência de custódia, o MPGO pediu a homologação da prisão em flagrante e a conversão em preventiva. O órgão sustentou que a medida era necessária para resguardar a ordem pública e preservar a instrução criminal.
Ao acolher o pedido, o juiz apontou a existência de indícios de participação em organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas, além de risco concreto de reiteração delitiva.
O magistrado também considerou a possibilidade de fuga, diante da tentativa de escapar após o pouso forçado e das circunstâncias da prisão.
A análise dos dados armazenados nos aparelhos apreendidos deverá auxiliar na identificação das rotas utilizadas, dos contatos mantidos pelo investigado e de outras pessoas eventualmente envolvidas no transporte da droga.

































