Um estudo feito em 14 capitais brasileiras pela organização não governamental (ONG) Endeavor identificou que Goiânia é a cidade com maior facilidade para se abrir uma empresa. Trata-se do Índice de Cidades Empreendedoras 2014 (ICE) calculado com base em 55 indicadores extraídos de dados estatísticos oficiais agrupados em sete quesitos: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura. As informações são do jornal O Hoje.
A capital goiana tem um ambiente regulatório equilibrado. Leva-se 32 dias, em média, para que o empreendedor consiga abrir seu negócio. Em média, no País leva-se 76 dias. Em apenas 15 dias ele consegue obter os registros imobiliários, quatro vezes menos que na média nacional. São as melhores médias entre as regiões envolvidas na pesquisa.
Estes e outros fatores colocam Goiânia como a oitava cidade mais empreendedora do País. Na liderança aparece Florianópolis. Goiás, de forma geral, tem se dedicado a facilitar a abertura de empresas, unificando processos e se tornando mais eficiente no que diz respeito aos primeiros passos burocráticos, segundo o estudo. Algo natural, já que esses são os itens iniciais para a criação de um negócio.
Goiânia obtém o primeiro lugar no índice de ambiente regulatório por também ser eficiente em outros processos avaliados e possuir taxas de impostos abaixo da média das 14 capitais do País tanto na alíquota efetiva do Simples (de 5,5% em média) quanto na do IPTU, de no máximo 1% do valor venal de imóveis não residenciais, o que é quase 40% menos do que a média das 14 capitais, segundo o estudo.
Infraestrutura
Embora tenha destaque no processo de criação de novos negócios, Goiânia deixa a desejar em outros tópicos de grande importância para a permanência da atividade. De acordo com o levantamento da Endeavor, a capital tem a terceira pior infraestrutura das cidades pesquisadas. Só fica à frente de Fortaleza e Belém.
A infraestrutura engloba o transporte interurbano e as condições urbanas. O primeiro grupo é formado por avaliações sobre a densidade das estradas, número de voos diretos e distância ao porto mais próximo. Neste grupo, a capital tem o pior resultado da pesquisa, especialmente pela distância em quilômetros do porto mais próximo (997 quilômetros).
O segundo grupo – condições urbanas – tira um pouco esta desvantagem da capital. Ele leva em conta cinco itens. O primeiro é o preço do metro quadrado, que, na capital goianiense, custa R$ 2.857 em média, o menor das regiões envolvidas no estudo. A taxa de acesso da população à internet é de 61,15%, a quarta maior. O custo de energia elétrica é de R$ 0,29 por KwH. O tempo de deslocamento casa-trabalho é o segundo menor do País. A taxa de furto de veículos é a sexta menor.
Mercado ainda deixa a desejar
Goiânia também fica aquém no que diz respeito ao mercado. A capital tem o quarto pior mercado das 14 cidades. O volume de clientes potenciais é o item que mais interfere nesta variável da análise. Goiânia tem o segundo pior volume de clientes potenciais, à frente apenas de Fortaleza. O item que mais pesou negativamente neste grupo foi o valor adicionado médio dos serviços. O volume de compras públicas totais também não ajudou muito, uma vez que Goiânia tem o segundo menor índice. Com relação à renda per capita, Goiânia tem a nona maior taxa (R$ 1.334,93).
Também formador do índice mercado, o desenvolvimento econômico goianiense contribuiu mais positivamente, tirando, parcialmente, a influência negativa do volume de clientes. O índice de desenvolvimento econômico em Goiânia é o sexto melhor, influenciado por uma taxa de crescimento médio do Produto Interno Bruto Real (PIB/Real) de 4,66% nos últimos três anos, o terceiro melhor das regiões pesquisadas.
Cultura empreendedora é positiva na capital
O estudo da Endeavor diz que a cultura empreendedora em Goiânia é um ponto que merece ser destacado. Quase 70% da população diz que a mídia local dissemina com constância casos de empreendedores e os goianienses também apresentam atitude essenciais aos espírito empreendedor, como otimismo e resiliência.
Capital e Inovação
Goiânia tem o 10º melhor acesso a capital financeiro. Com relação à capacidade de inovação, a posição cai para a 13º, à frente apenas de Recife.
No volume de capital humano disponível, Goiânia apresenta-se com um bom acesso e qualidade de mão de obra, com a melhor nota do Ideb (4,6) nas 8ª e 9ª séries e no ensino superior (4%).
Favoravelmente também pesa o potencial empreendedor, que coloca a capital goiana na segunda posição do ranking abaixo apenas de Manaus.
Exemplo
O estudo destaca o sistema Vapt Vupt, criado em 2012 no Estado, e destaca como o sistema de indicadores criado pela Junta Comercial do Estado (Juceg) como o que mais chama a atenção por permitir que qualquer pessoa possa consultar o volume de empresas abertas e fechadas a qualquer momento.
A dificuldade da capital de inovar é um dos desafios destacados para Goiânia, resultado dos baixos investimentos tanto do Governo quanto das empresas.
Também mereceu destaque na pesquisa, o baixo percentual de geração de ideias, principalmente pelo baixo nível de relacionamento entre empresas e universidades.

































