Apesar da queda do número de homicídios dolosos registrada no último mês de março no Estado, o índice de ocorrência desse tipo de crime aumentou no total do primeiro trimestre de 2014 em comparação ao ano passado. Se for feita a comparação dos crimes ocorridos de janeiro do ano passado em Goiás (2.576) até março deste ano, o número dos homicídios ocorridos nos três primeiros meses deste ano corresponde a 26,4% do total. Já Goiânia atinge porcentual de 23,25%. As informações são do jornal Opção.
Entre janeiro e março de 2013 foram listados 664 casos, ante os 671 contabilizados no primeiro trimestre de 2014, uma alta de 1,5%. Os dados são da Gerência de Análise de Informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-GO) e foram divulgados na manhã desta quinta-feira (3/4), durante a apresentação do balanço trimestral da pasta.
Goiânia seguiu o ritmo de queda no comparativo no mês de março, com 51 mortes neste ano, ante 55 do mesmo mês de 2013. No trimestre, o diferencial foi de apenas uma morte: 136 contra 137 neste ano. No cumulativo, a Região Metropolitana contou com redução tanto em março quanto no total do trimestre. Aproximadamente 36% dos homicídios cometidos na capital estão concentrados em 15 bairros.
Anápolis foi o município que registrou a maior redução nos índices. A explicação para isso, na visão do titular da SSP-GO, Joaquim Mesquita, é o conjunto de investimentos e articulações feitas na cidade pelo governo do Estado para que a taxa abaixasse e a sensação de segurança aumentasse. Dentre as quais está a implantação do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE) da Polícia Militar.
Esta foi a primeira vez que o governador Marconi Perillo (PSDB) presidiu uma audiência com a apresentação dos índices. Agora, de acordo com o secretário, o tucano irá comandar as reuniões –– sendo que, não necessariamente, elas serão abertas e com grande público, como ocorreu no CCON.
Em pronunciamento de pouco mais de 11 minutos, ele listou o número de ações realizadas nos primeiros três meses: 141.238 abordagens policiais, 12.816 operações policiais, 1.614 apreensões de entorpecentes, 1.128 foragidos recapturados, 3.874 veículos recuperados, entre outras atuações. Todas registraram elevação no período.
Campanha
Ao fazer o uso da palavra, o governador aproveitou para pontuar que, a partir desta quinta-feira (3/4), será realizado um pacto pela paz e pela sensibilização do Congresso Nacional e da União para que sejam feitas alterações na legislação da execução penal brasileira. “Temos ainda no Brasil uma legislação frouxa, que precisa ser mudada. Temos que ter o apoio do governo federal para que possam ser construídas mais cadeias e penitenciárias”, argumentou, lembrando a apresentação feita pela secretaria sobre os crimes que tiveram maior repercussão em Goiás e que foram protagonizados por pessoas que já tinham passagem pela polícia.
Outra cobrança feita ao governo federal foi a de que as fronteiras com países como Paraguai, Colômbia e Bolívia, por exemplo, é a de que sejam fechadas, já que elas estariam escancaradas. “Grande parte das Forças Armadas é competente e bem preparada para atuar lá, bloqueando a entrada de drogas e armas”, disse, antes de sugerir a criação de um ministério para a Segurança Pública.
Reincidência
Joaquim Mesquita destacou que será debatida também uma forma de combater a reincidência criminal no Estado. Ele lembrou o caso de André Daher, de 26 anos, suspeito de liderar uma quadrilha especializada em roubo de carros. O criminoso foi recapturado na madrugada de quarta-feira (2) após perseguição policial que culminou em tiroteio na Avenida 85, no Setor Bueno, em Goiânia.
O suspeito também tem passagens por direção perigosa, receptação, homicídio e tráfico de drogas.
Metas até dezembro
Questionado pelo Jornal Opção Online sobre o que teria sido essencial para as reduções em todo o Estado, Joaquim Mesquita respondeu que não há uma “bala de prata” que justifique tal fato. “Há diversos fatores. O que é inegável é o seguinte: existe um método, que estamos implementando, e temos um caminho a seguir”, disse.
Anteriormente, em entrevista coletiva, ele havia apontado a possibilidade de que a queda poderia estar relacionada à quantidade de armas de fogo apreendida nos três primeiros meses do ano. Mas ressaltou que não foi feito nenhum levantamento para comprovar os dados. “Uma coisa é certa. Quanto menos armas em circulação, haverá menos crimes.” Foram 834, uma alta de 28,7%, sendo a maior parte de revólveres e pistolas de uso comum.
Joaquim Mesquita afirmou que a secretaria não está atuando de forma improvisada, mas sim com planejamento. A meta anual para a redução de crimes, conforme informou, é de 10% até o fim do ano.

































