Estelionato e lavagem de dinheiro: juíza Placidina Pires condena 14 réus pelo “golpe do novo número”

A juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e de Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores, condenou 14 pessoas envolvidas na prática do chamado “golpe do novo nNúmero”. Uma das vítimas foi a mãe da supermodelo Carol Trentini, que teve um prejuízo superior a R$ 124 mil. As penas variam de 5 a 17 anos de prisão, a serem cumpridas em regimes semiaberto e fechado, além do pagamento de multas.

Na sentença, a magistrada destacou que as provas comprovaram a associação entre os acusados para a prática de estelionato e lavagem de dinheiro. As condutas foram enquadradas no artigo 288 do Código Penal, e não no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas).

Segundo a decisão, a associação atuou entre 2021 e 2024, até a deflagração da segunda fase da Operação Paenitere, em novembro de 2024. A juíza ressaltou que Danilo Corsino continuou comandando os crimes mesmo preso, utilizando celulares clandestinos dentro da unidade prisional.

Um dos pontos mencionados na sentença foi o fato de a vítima, uma idosa de 70 anos, ter sido convencida a ir sozinha ao banco, durante a pandemia, para aumentar limites de conta e realizar empréstimos. “O comportamento da vítima não contribuiu para a prática delitiva, por isso, não influencia na dosagem da pena. As circunstâncias do crime são especialmente desfavoráveis”, frisou Placidina Pires.

Dinâmica do golpe

De acordo com os autos, o grupo aplicava o “golpe do novo número”, em que os criminosos se passavam por familiares das vítimas através de aplicativos de mensagem. No caso da mãe de Carol Trentini, a fraude ocorreu entre os dias 20 e 21 de maio de 2021, quando ela acreditou estar em contato com a filha pelo WhatsApp. Ao todo, realizou diversas transferências bancárias e até contraiu empréstimo, resultando em prejuízo de R$ 124.845,00.

Danilo Corsino foi apontado como quem se passou pela filha da vítima. Em interrogatório, negou envolvimento e afirmou não ter as contas bancárias atribuídas a ele. Contudo, mensagens, conversas e imagens apresentadas pela vítima e por uma ex-companheira confirmaram sua participação como principal articulador.

Investigação

A Polícia Civil de Goiás (Deic/PCGO) conduziu as investigações. O caso ganhou repercussão nacional após ser exibido no programa Fantástico, quando novas informações surgiram, inclusive por meio da colaboração de uma ex-companheira de um dos acusados. A Operação Paenitere resultou na prisão temporária dos envolvidos e desarticulou a associação criminosa que, segundo as apurações, aplicava golpes semelhantes há anos.

Confira os condenados e as respectivas penas

Danilo Corsino da Silva – 12 anos de prisão;
Kleber Marques Rocha – 8 anos;
Bruna Alves de Oliveira – 6 anos;
Carlos Henrique da Silva – 7 anos;
Leonardo Alves Gonçalves – 6 anos;
Daniely Dias e Oliveira – 8 anos;
Evellyn Ester Gomes Machado – 5 anos;
Kesley Lopes de Cirqueira Batista – 9 anos;
Letícia Santos Rodrigues – 7 anos;
Yanne Pereira Coelho – 7 anos;
Igor Borges de Morais – 5 anos;
Sílvio da Silva e Souza Júnior – 8 anos;
Luísa Beatriz Lourenço Zucchini – 6 anos.

Processo 6063569-48.2024.8.09.0051