Mulheres que participaram de projeto de empregabilidade do MPT em Goiás ganham bolsa para cursar Direito

Rayanne e Eliane conquistaram o mercado de trabalho. Ambas estão felizes por terem superado tantos desafios e enfrentam agora mais um: a faculdade

Duas alunas que se formaram no curso de Assistente de Cozinha oferecido pelo projeto de empregabilidade “Mais Um Sem Dor”, promovido pelo Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) e pela Justiça do Trabalho, ganharam uma nova oportunidade: cursar a faculdade de Direito. A assinatura do termo de compromisso entre as alunas, o MPT e a Faculdade Padrão ocorreu na terça-feira (01), na sede do órgão ministerial, e foi coordenada pelo procurador-chefe do MPT em Goiás, Tiago Ranieri.

As duas mulheres foram selecionadas em razão do seu desempenho e dedicação durante o curso de Assistente de Cozinha e também no mercado de trabalho, além da situação socioeconômica. A oportunidade foi possível porque houve um acordo entre o MPT e a Faculdade Padrão, que propôs converter multa por ter descumprido um Termo de Ajuste de Conduta em oferta de bolsas de estudos. As alunas não pagarão mensalidade ou matrícula durante todo o curso, com duração de cinco anos. O procurador do Trabalho Marcello Ribeiro foi o responsável por conduzir o acordo com a faculdade.

Eliane Nunes participou do “Mais Um Sem Dor” em 2019 (à época, o nome era Cozinha e Voz), na edição voltada para pessoas em situação de rua. Na época, ela precisou ir para uma casa de acolhida por ter sofrido violência doméstica. Cursou Assistente de Cozinha, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Hoje, Eliane trabalha com carteira assinada no restaurante Évora, em Goiânia. Já conseguiu alugar uma casa, onde mora com a filha. “Retomei a minha vida, a minha dignidade. Eu me encontrava sem rumo e sem saber por onde recomeçar”, desabafa Eliane. “O meu desejo é que projetos como esse alcancem outras pessoas, que só precisam de uma oportunidade e alguém que as apoie no caminho certo”, pontuou. Sobre a chance de cursar a faculdade, Eliane diz simplesmente: “Oportunidade transformadora”.

Rayanne Eduarda Brito fez parte do projeto em 2018, cujo público-alvo eram pessoas trans e travestis. Também se formou em Assistente de Cozinha, ministrado pelo Senai. Desde dezembro de 2019, ela, uma mulher trans, trabalha com vínculo formal no restaurante Magna, também na capital. Após oito meses no cargo de Auxiliar de Cozinha, Rayanne foi promovida a cozinheira-chefe.

“Participar do projeto foi um divisor de águas na minha vida”, comenta a cozinheira. Segundo Rayanne, não havia perspectiva no mercado de trabalho para ela, a não ser a prostituição. “Eu sempre fui inconformada com essa situação e, agora, consegui recuperar a minha dignidade e levar uma vida social normal e mais tranquila”, ressalta. Nos estudos, Rayanne pretende lançar novos voos. “Após me formar, quero retribuir todas essas oportunidades com um trabalho voltado à nossa classe. Quero ser a personificação da vontade de crescer, ser espelho para minhas colegas trans”, concluiu. Com informações do MPT