Justiça do Trabalho em Goiás registra recorde de novas ações em 2025, com mais de 89 mil processos

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A Justiça do Trabalho em Goiás encerrou 2025 com o maior volume de novos processos trabalhistas registrado na última década. Ao longo do ano, foram ajuizadas 89.123 ações, número superado apenas por 2016, quando a Justiça recebeu 95.491 demandas, às vésperas da entrada em vigor da reforma trabalhista.

Após a redução observada no período mais crítico da pandemia de covid-19, o volume de processos voltou a crescer a partir de 2023 e se intensificou em 2024 e 2025. No último ano, houve aumento de 8,5% em relação ao período anterior.

Mesmo diante da alta demanda, as varas do trabalho e postos avançados do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) mantiveram índices elevados de produtividade. Em 2025, foram solucionados 78.341 processos, quase mil a mais que em 2024, quando o total chegou a 77.494.

Entre os principais assuntos discutidos nas novas ações estão verbas rescisórias, rescisão indireta, adicional de insalubridade, horas extras e indenização por dano moral. Também aparecem com frequência pedidos relacionados às multas dos artigos 477 e 467 da CLT, à multa de 40% do FGTS e ao reconhecimento de vínculo empregatício, indicando que a maior parte das demandas está associada ao encerramento do contrato e ao descumprimento de obrigações básicas do empregador.

Prazos seguem abaixo da média nacional

As estatísticas também apontam que o TRT-GO manteve o tempo médio de tramitação em patamar inferior ao registrado em anos anteriores. Em 2025, o prazo médio entre o ajuizamento da ação e a sentença foi de 113,26 dias, contra 110,77 dias em 2024 e 132,31 dias em 2023.

O desempenho coloca Goiás bem abaixo da média nacional da Justiça do Trabalho, estimada em cerca de seis meses e 17 dias, o que representa aproximadamente dois meses e meio a menos que o índice nacional.

Conciliação representa quase metade das soluções

Em 2025, 49,16% dos processos foram solucionados por meio de conciliação. O índice refletiu diretamente nos valores pagos aos trabalhadores. Ao longo do ano, o TRT-GO movimentou cerca de R$ 1,15 bilhão em favor dos reclamantes.

Desse total, R$ 675,4 milhões foram pagos por meio de acordos, enquanto o restante decorreu de execução forçada ou pagamento espontâneo das dívidas trabalhistas.

Impacto econômico e arrecadação para a União

Os dados também evidenciam impacto relevante na arrecadação pública. Em 2025, foram repassados à União R$ 96,6 milhões, entre custas e emolumentos, contribuições previdenciárias e imposto de renda. Em 2024, o valor chegou a R$ 192,6 milhões. A média dos últimos cinco anos foi de aproximadamente R$ 120 milhões anuais.

Ao comentar os números, o presidente do TRT-GO, desembargador Eugênio Cesário, ressaltou o papel estrutural das relações de trabalho no financiamento de políticas públicas.

“Além de assegurar direitos, a Justiça do Trabalho movimenta bilhões de reais todos os anos na economia, beneficiando diretamente trabalhadores e contribuindo para a arrecadação pública”, afirmou.

Segundo grau também registra aumento de demandas

A produtividade observada no primeiro grau também se repetiu no segundo grau. Em 2025, deram entrada 33.159 processos, um crescimento de 6,8% em relação a 2024. No mesmo período, foram julgadas 30.873 ações, o que representa índice de atendimento de 94% da demanda.

O volume inclui recursos contra decisões de primeira instância, recursos internos e ações originárias, como mandados de segurança, dissídios coletivos e cautelares.

Além do aumento de julgamentos, o Tribunal reduziu prazos: em 2025, o tempo médio entre a autuação e o julgamento caiu para 74,52 dias, uma redução de aproximadamente 19% em comparação com 2024. A taxa de congestionamento líquida permaneceu em nível baixo, em 28,13%, indicando capacidade de absorção do crescimento no número de recursos.