Goianos rejeitam 20% das vagas de emprego ofertadas no Estado

Os profissionais goianos rejeitaram 19,7% das vagas oferecidas ao longo do ano em todo o Estado. De acordo com os dados do Sine Goiás, no acumulado do ano até agosto, foram disponibilizadas 16.154 vagas. Deste total, 12.970 trabalhadores foram inseridos no mercado de trabalho e 3.184 vagas ainda continuam em aberto. As informações são do jornal O Hoje.

Os dados goianos confirmam uma pesquisa que mostra os brasileiros como os profissionais que mais dizem não a novos empregos. Cerca de 63% dos RHs afirmam que, no Brasil, as pessoas estão mais propensas a declinar as ofertas de emprego que recebem. Na comparação com outros países, o índice brasileiro é bem superior. Na Itália, por exemplo, esse índice não passa de 20%. O levantamento é da empresa de recrutamento Robert Half e foi feito com 1.000 diretores de Recursos Humanos em oito países.

O dado também foi constatado por outro levantamento, da consultoria de recrutamento Page Personnel. Conforme os dados da análise, um em cada quatro candidatos brasileiros rejeita propostas de emprego em processos seletivos. Os profissionais que mais dizem “não” são analistas e coordenadores das áreas de TI, finanças e engenharia, cujos salários variam entre R$ 4 mil e R$ 8 mil.

O coordenador das unidades do Sine em Goiás, Antônio Ferreira Lopes, afirma que esse fenômeno acontece em Goiás com certa frequência. “Acaba acontecendo sim. Às vezes a vaga oferecida é até na mesma função do profissional, mas o salário é menor. O sujeito prefere procurar uma vaga com um salário mais compatível com seu cargo”, diz.

Para o coordenador, até o seguro-desemprego influencia na escolha. “Outros fatores também influenciam, não apenas o salário. Alguns preferem esperar acabar o tempo do seguro-desemprego para só depois procurar algo. E também tem a questão da distância do trabalho, mais os custos de transporte que eles terão para trabalhar”, acrescenta.

Pela falta de mão de obra qualificada no Estado, a gerente de recursos humanos do IPOG, Catarina Portugal, revela que as empresas estão mais flexíveis a negociações para contar com as habilidades que o profissional possui.

Quando as companhias descobrem que seus profissionais estão sendo sondados, elas inclusive fazem uma contraproposta salarial para “segurar” o trabalhador. “Isso acontece muito por conta da qualificação profissional. É difícil encontrar um profissional altamente qualificado e então as empresas oferecem geralmente um aumento salarial e mais benefícios para manter esse trabalhador em seu quadro de funcionários”, argumenta.

Melhor opção

O estudante de sistemas de informação, Farid Ibraim Chaud Júnior (foto), recebeu uma proposta recentemente e preferiu não aceitar. “Meu estágio está quase acabando e veio a proposta. O problema é que o salário era extremamente baixo, porque na minha área não tem um piso definido. Sou de outra cidade e os custos são elevados, a remuneração quase não iria cobrir. Mesmo me mudando sairia caro também, não compensava”.

Para ele a melhor opção agora é aguardar novas ofertas. “Prefiro esperar um pouco para conseguir algo melhor. Mesmo porque já estou quase formando”, relata.

Baixa procura por emprego faz Seac abrir novo cadastramento

Mais de mil vagas de emprego foram abertas para deficientes nos empreendimentos filiados ao Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado de Goiás (Seac-GO). No entanto, por conta da baixa procura, a entidade atenderá os interessados nas oportunidades de emprego abertas, hoje, das 8h30 às 16h em sua própria sede.

Mesmo com todos os desafios, o presidente do Seac, Edgar Segato é taxativo. “Temos e queremos fazer a inclusão para cumprir o exigido por Lei no número mínimo de vagas para deficientes, que é de 2% a 5% dos empregos das empresas. Estamos muito preocupados.”

Para o presidente foi frustrante esperar pelos candidatos que já teriam emprego imediato. “Temos as vagas e estamos percebendo que talvez que não haja a quantidade necessária de deficientes para ocupá-las”. “O deficiente acha que ele vai perder o salário que tem direito do governo como benefício ao procurar emprego, mas ele tem a ganhar em inclusão, em benefícios que só as empresas podem oferecer”, desabafa Edgar.