Apresentação de monografia em Direito na UFG teve tradução simultânea em Libras

Apresentação foi traduzida em Libras

A reta final da graduação passa pela apresentação do trabalho de conclusão de curso. E, para compor a banca avaliadora de seu trabalho sobre direitos das pessoas com deficiência, o estudante Marcos Ribeiro Neves, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (FD/UFG), convidou a pesquisadora Renata Rodrigues de Oliveira Garcia, primeira pós-graduanda surda a se tornar mestre pela UFG. A apresentação contou com tradução simultânea em Libras, Língua Brasileira de Sinais, e aconteceu na última quarta-feira (18).

Além de Renata, várias outras pessoas surdas na plateia acompanharam com atenção as intérpretes Alessandra Maia e Christiana Silva transporem as palavras do estudante Marcos e as observações dos outros dois professores da banca examinadora na linguagem brasileira de sinais. Também as observações feitas em libras pela professora Renata foram traduzidas pelas profissionais.

Não existem dados precisos, mas a professora Franciele Cardoso, orientadora de Marcos, acredita que tenha sido a primeira monografia apresentada na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás com tradução em Libras. “Foi um momento de afetividade e acolhimento, em que a pesquisa acerca das normas vigentes que dispõem sobre os direitos das pessoas com deficiência e sobre a atuação de um dos equipamentos públicos responsáveis pela efetivação dessa legislação – a recém criada Delegacia Especializada no Atendimento à Pessoa com Deficiência de Goiânia – foi apresentada e discutida por pessoas que compõem o público-alvo dessa política pública, uma forma da Universidade reafirmar a sua importância para a efetividade dos direitos de toda a população, indistintamente”, disse a professora, ressaltando a preocupação da Universidade Federal de Goiás, que mantém um Núcleo de Acessibilidade, bem como de toda a comunidade acadêmica que, através de projetos de pesquisa e extensão, têm assegurado a implementação de ações de inclusão e acessibilidade na Faculdade de Direito, que conta com um estudante cego, além de outros alunos com deficiência.

A pesquisadora convidada, Renata Garcia é mestre em Ciências da Saúde pela UFG com trabalho sobre “qualidade de vida da pessoa surda no ambiente familiar”. Hoje, ela faz doutorado na Universidade de Brasília (UnB) além de ser professora concursada da Faculdade de Letras – UFG. Ela observou durante a apresentação que trabalhos como este precisam ser valorizados, visto que se trata de um tema sobre o qual as pessoas com deficiência possuem pouco conhecimento. O professor e Juiz de Direito Adegmar Ferreira, terceiro membro a compor a banca fez diversas observações elogiosas à monografia defendida e ressaltou a importância e o significado daquela sessão pública de defesa.

Surdos no Brasil e no mundo
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o segundo idioma oficial do Brasil, compondo-se de um conjunto organizado de elementos, sons e gestos que possibilitam a comunicação. O Brasil conta com 10,5 milhões de surdos ou pessoas com deficiência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem 500 milhões de surdos no mundo e, até 2050, haverá pelo menos 1 bilhão em todo o globo. Diante dos números, vê-se a necessidade do ensino da LIBRAS nas escolas, a fim de proporcionar uma inclusão integral da pessoa surda. Atualmente, o ensino da língua é obrigatório apenas nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério e nos cursos de Fonoaudiologia.