Os promotores de Justiça Paulo Brondi, Douglas Chegury e Diego Braga ofereceram mais uma denúncia contra 14 pessoas por delitos de tráfico e associação para o tráfico, conforme a Lei de Drogas, resultante de Operação Avalanche, deflagrada no dia 18 de fevereiro, em que foi desmontada organização criminosa em Campos Belos, com ramificação em Formosa e orquestrada de dentro de presídios, inclusive do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
Foram denunciados Donizete Soares da Silva, Deidison Ramalho da Silva Batista, Simone Saraiva, Rafael Gomes de Castro, Alexsandro Ribeiro de Oliveira, Leonardo Ramalho dos Santos, Gutemberg Souza Neres, Maxsuel Ferreira de Moura, Adriana Rodrigues da Silva, Marcileny Rodrigues Ramalho, Luis Eduardo da Silva Marinho, Sandra Saraiva Garcia e Rocha, José Vieira de Carvalho Filho e Camila de Sousa Athayde.
Organização
Consta da denúncia que as investigações sobre a existência de organização criminosa destinada ao tráfico de drogas em Campos Belos começaram com a notícia de que Donizete liderava um grupo de pessoas nessa tarefa, antes e mesmo depois de preso.
A partir de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, foram rastreados outros integrantes da organização, suas funções e tarefas. Segundo os promotores, foi possível descobrir que o grupo possuía duas vertentes.
Uma era atuante na cidade de Formosa, contando com pessoas da confiança de Donizete, inclusive familiares, responsáveis pelo depósito e distribuição de drogas, assim como seu transporte quando necessário. Uma outra atuava em Campos Belos, liderada por Deidison, que junto com terceiros, ficava responsável pelo recebimento, depósito e distribuição de entorpecente.
Consta da denúncia que os denunciados também se valeram do emprego de arma de fogo e envolveram adolescente no esquema criminoso. O MP, como desdobramento da operação, já denunciou vários desses integrantes, e agora oferece denúncia contra a totalidade dos membros da associação.
Quem é quem
– Donizete Soares da Silva, conhecido como “Véio ou Coroa”, detinha o comando dos demais no tráfico de drogas em Campos Belos, ordenando a distribuição das mercadorias e recebimento dos valores obtidos na atividade criminosa. Agiu antes e depois de sua prisão, por meio de celulares, e por intermédio dos demais denunciados que lhe davam suporte fora do presídio. Sua organização possuía dois braços: o de Campos Belos e o de Formosa, onde se concentravam os gerentes da empresa criminosa e alguns dos fornecedores de drogas para o Nordeste goiano. Na denúncia, os promotores apresentam transcrições que comprovam as negociações para o tráfico.
– Deidison Ramalho da Silva, conhecido como “Bebim ou Pé Inchado”, até sua prisão por tráfico, em janeiro passado, exerceu a função de braço direito de Donizete em Campos Belos. É o representante maior da organização na cidade, dirigindo o fornecimento e revenda de droga, diretamente ou por intermédio de terceiros. Também organizava cobrança de dívidas em seu favor e de Donizete. Era responsável por liderar outro grupo de pessoas para a distribuição de drogas fornecidas por Donizete e, às vezes, fazia pessoalmente a venda do entorpecente.
– Simone Saraiva, conhecida como “Simone da Dengue”, era moradora da cidade de Formosa e um dos membros de maior confiança de Donizete naquele município. Ela cuidava frequentemente do transporte da droga e de assuntos pessoais do chefe da organização. Simone recebia e fazia depósitos em contas laranjas, cuidava da guarda, transporte e entrega de drogas.
– Rafael Gomes de Castro, o “Gordinho ou Buchudo”, morador de Formosa, adquiria mercadoria de Donizete para seu comércio, pagando-lhe à vista ou a prazo. Também manteve estreitos laços com o braço da organização liderado por Deidison em Campos Belos.
– Alessandro ou “Cabeça” é um dos associados de Donizete, sendo um devedor do esquema, em virtude de aquisições de drogas. Aparece como uma espécie de gerente, tendo em vista as inúmeras movimentações bancárias que fazia a Donizete.
– Leonardo Ramalho dos Santos ou “Léo” era seguidor de Donizete em Campos Belos. Na companhia do primo Deidison, serviu à organização até a sua prisão em flagrante em fevereiro deste ano, quando transportava drogas para a cidade, encomendada por sua mãe, a também denunciada Marcileny.
– Gutemberg de Souza Neres ou “Beguim” se associou a Donizete em Campos Belos, mantendo vínculo com outros denunciados. Braço forte armado da organização.
– Maxsuel Pereira de Moura é um dos “soldados” de Donizete e Deidison em Campos Belos, corresponsável pela distribuição de drogas.
– Marcileny Rodrigues Ramalho é mãe de Léo, que apareceu durante as investigações apta para suprir a falta do denunciado Deidson, seu sobrinho. Nas vezes em que ele foi preso, foi Marcileny que veio a público oferecer seu apoio e experiência a Donizete para a continuidade do comércio. Na Operação Avalanche, a denunciada foi presa em flagrante junto com o marido, Edivaldo, na posse de porções de drogas que seriam destinadas ao pagamento de advogado para o denunciado Léo.
– Luis Eduardo da Silva Marinho, homem de confiança do Donizete, na região de Formosa, um dos gerentes da organização, auxiliando na movimentação financeira da “empresa” e, algumas vezes, na própria distribuição da droga.
– Adriana Rodrigues da Silva é sobrinha de Donizete, uma das mulheres que ele se valia para a distribuição de drogas em Formosa. Hospedou Léo em sua casa, no dia em que ele foi preso em flagrante depois de buscar drogas em Formosa.
– José Vieira de Carvalho Filho, conhecido como “Zequinha ou Negão”, companheiro de cela de Donizete, um dos fornecedores de droga a ele.
– Camila de Sousa Athayde, companheira de José Vieira,com intenso vínculo associativo na organização. Junto com Simone orquestrava a busca e a distribuição de drogas em Formosa, bem como a remessa para outras localidades, a mando de Donizete.
– Sandra Saraiva Garcia e Rocha é irmã de Simone, armazenava parte da droga negociada pela organização em Formosa.
Além de terem sido denunciados por por delitos de tráfico e associação para o tráfico, foi requerida a prisão preventiva dos denunciados. Fonte: MP-GO

































