Operação mira advogados, médico e engenheiro por fraude ligada a benefícios do Césio-137

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A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quinta-feira (30), a Operação Césio 137, segunda fase da investigação que apura esquema de falsificação de documentos para obtenção de isenção de imposto de renda por meio de ações judiciais relacionadas ao acidente radiológico com Césio-137, ocorrido em Goiânia na década de 1980.

A ação, conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio do Grupo de Repressão a Roubos, contou com apoio da Gerência de Ações Estratégicas da Secretaria de Estado da Saúde e cumpriu sete mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária na Região Metropolitana de Goiânia.

Os alvos são advogados, médico e engenheiro investigados pelos crimes de estelionato contra ente público, associação criminosa e falsidade ideológica. A investigação estima um prejuízo potencial de R$ 79 milhões e dano efetivo identificado em aproximadamente R$ 1,7 milhão.

Esta é a segunda fase da investigação, que apura a atuação de um grupo suspeito de falsificar documentos, incluindo laudos e relatórios médicos, para ajuizar ações judiciais visando à isenção de imposto de renda com fundamento em suposta exposição ao elemento radioativo Césio-137, relacionado ao acidente radiológico ocorrido em Goiânia na década de 1980.

Segundo as apurações, o esquema seria estruturado em quatro núcleos: captação, falsificação, advogados laranjas e núcleo jurídico. Conforme a Polícia Civil, um militar da reserva e uma advogada seriam responsáveis por captar interessados e reunir documentos e históricos médicos, posteriormente enviados ao núcleo de falsificação, formado por advogados, médico e engenheiro, para alterações de dados e criação de laudos com diagnósticos não correspondentes à realidade.

Após a falsificação, o núcleo jurídico, por meio de logins pertencentes a advogados vinculados ao núcleo de laranjas, protocolava ações judiciais para obter a isenção tributária em nome dos militares da reserva. A investigação também identificou a adulteração de comprovantes de endereço para direcionar o ajuizamento das ações a comarcas específicas, em violação ao critério de distribuição e ao princípio do juiz natural.

De acordo com a Polícia Civil, esta fase da operação tem como objetivo desarticular os núcleos jurídico e de falsificação identificados no curso das investigações. A primeira etapa da ofensiva, denominada Operação Fraude Radioativa e deflagrada em 2024, já havia resultado no cumprimento de mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões e outras medidas cautelares, atingindo os núcleos jurídico e de laranjas.