Máquinas agrícolas terão isenção de IPVA em Goiás

Os produtores goianos não serão obrigados a pagar Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e outros tributos sobre máquinas agrícolas, além de licenciamento, apesar da cobrança ter sido autorizada pela medida provisória 646 para todos os Estados. O anúncio foi feito ontem pelo governador Marconi Perillo, durante a solenidade de posse do novo presidente da Federação da Agricultura e Pe´cuária de Goiás (Faeg), Leonardo Ribeiro, que substituirá o pré-candidato a deputado federal José Mário Schreiner até o dia 6 outubro. As informações são do jornal O Popular.

A Medida Provisória 646 determina que os tratores e demais aparelhos automotores, fabricados a partir de 1º de agosto deste ano, destinados a puxar ou a arrastar maquinário agrícola de qualquer natureza ou a executar trabalhos agrícolas e de construção ou pavimentação, são sujeitos, desde que transitem em vias públicas, ao registro e ao licenciamento na repartição competente.

O governador disse que acolhe um pedido feito pelo setor agropecuário. “Digo que vou acolher e, no que depender de mim, estarão isentos dessas taxas. É mais uma parceria e um reconhecimento ao setor agropecuário, que tem carregado o Estado e o País nas costas”, disse. Ele lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre do ano, enquanto o do agronegócio avançou 3,6% no mesmo período. “Goiás tem condições de ter uma boa bancada goiana representando o setor”, prevê.

Homem do campo

José Mário Schreiner lembrou que o sistema Faeg e Senar tem ampliado seu leque de atuação, buscando cuidar também do produtor rural e sua família, além da produção, através de vários programas sociais nas áreas de saúde e educação. Segundo ele, as pessoas que precisam de mais atenção são as que estão mais isoladas, em regiões distantes das cidades. “Atrás dos morros têm gente, e não apenas mato e bicho”, alerta.

Entre esses vários programas, estão a qualificação e a profissionalização feitas pelo Senar, através de cursos, que visam capacitar a mão de obra do campo para as atuais demandas do setor. Mas José Mário acredita que é preciso avançar muito mais, principalmente no atendimento completo a 80 mil famílias que estão nas pequenas propriedades rurais.

Para ele, um dos grandes desafios atuais do País é a carga tributária, que leva 151 dias de trabalho por ano de toda a sociedade brasileira. Segundo José Mário, no Brasil são cobrados cerca de R$ 0,98 em impostos num único litro de leite, mesmo sendo um produto de primeira necessidade para o desenvolvimento das crianças. Além da isenção de impostos sobre as máquinas agrícolas, os produtores também pediram ao governador a pavimentação de mais 40 importantes rodovias goianas no Programa Rodovida.

O novo presidente comandará a entidade durante pouco mais de quatro meses. “Será um licenciamento temporário. Tenho um compromisso com a classe produtora de não deixar a Faeg, mesmo sendo eleito”, afirmou José Mário. O jovem agricultor Leonardo Ribeiro é presidente do Sindicato Rural de Alto Paraíso e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Faeg.

Segundo ele, nesse pouco tempo, a meta é dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos pela casa, atendendo as demandas de sindicatos e produtores rurais. Leonardo lembrou que o setor enfrenta grandes desafios, como na área de infraestrutura, principalmente no fornecimento de energia elétrica no interior, que se tornou um grande gargalo para o crescimento da produção.

Outra preocupação é com o desenvolvimento de novos canais de escoamento da produção, com foco em modais mais eficientes para redução de custos. “É um trabalho, que já vem de muitos anos”.

A senadora Kátia Abreu passou a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a seu primeiro vice, João Martins da Silva Júnior, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB). Ela vai se dedicar ao seu projeto de reeleição ao Senado.