Sem acordo na Justiça, motoristas de ônibus devem deflagrar greve no próximo dia 19

Não vejo outro caminho a seguir a não ser a greve.” Foi o que declarou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Goiás (Sindittransporte), Alberto Magno, após nova audiência de conciliação com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Setransp) e outros representantes das empresas de transporte coletivo, ontem (04), no auditório do Tribunal Pleno do TRT de Goiás.
 
Sem acordo firmado entre as partes, os motoristas vão se reunir em assembleia no próximo dia 15. A expectativa, conforme sinalizou Alberto Magno, é que a categoria decida pela paralisação do serviço. Conforme a lei de greve, os profissionais deverão aguardar um prazo de 72h para que a população e as empresas que gerem o transporte coletivo sejam comunicadas.

A categoria rejeitou o reajuste salarial de 7%, que havia sido inicialmente acordado entre os dois sindicatos. Os motoristas defendem um aumento de 15%, bem como um acréscimo no valor do vale-alimentação superior ao já sugestionado pelo Sentransp, de 16%, além da volta do serviço de manobra, que é o transporte do funcionário ao final do expediente.

Do outro lado, o Setransp alega que as reivindicações são inviáveis financeiramente e podem causar desequilíbrio tarifário.

Audiência

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Goiânia (Setransp) não apresentou contraproposta durante a audiência ontem, atitude que era esperada pelos motoristas. De acordo com o desembargador Aldon Taglialegna, vice-presidente do TRT, a partir de agora qualquer tentativa de conciliação terá de ser feita entre as partes e posterior acordo poderá ser protocolado para homologação na Justiça do Trabalho.

“É com tristeza que eu termino essa audiência sem a pacificação do conflito já que o Setransp não teve intenção de conciliar hoje”, disse o desembargador, que destacou que a Justiça do Trabalho fez o possível para que a categoria chegasse a um entendimento.

O Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo) manteve a proposta inicial de reajuste de 15%, ticket alimentação de R$ 500,00 e ajuda de custo de R$ 750,00 como indenização pela supressão da manobra, ou a volta da manobra. Já a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Goiás, Janilda Lima, chegou a apresentar uma proposta para que as negociações fossem retomadas, mas não foi aceita pelo Setransp. O MPT sugeriu um aumento de 9% no salário e gratificações além de 20% de reajuste no auxílio-alimentação.

Na ocasião, o Sindicoletivo pediu a reconsideração da liminar deferida pelo TRT que havia declarado abusiva a paralisação realizada em maio. Segundo o magistrado, o pedido será submetido à apreciação da presidente do TRT, desembargadora Elza Silveira, que havia deferido a liminar com imposição de multa aos responsáveis pelo movimento.

Os motoristas decidiram, por fim, manter a assembleia do dia 15 de junho e, caso as negociações não sejam retomadas, votarão nesse dia indicativo de greve.

DCG 0010183-19.2014.5.18.000