Câmara aprova venda de 18 áreas públicas em Goiânia. Iniciativa foi vaiada

Sob protesto e vaias, a Câmara de Vereadores de Goiânia aprovou ontem, por 19 votos a favor e 11 contra, em votação definitiva, projeto de iniciativa do prefeito Paulo Garcia (PT) que prevê a venda de 18 áreas públicas municipais, que totalizam 200 mil metros quadrados.

A oposição já se mobiliza para ingressar, ainda esta semana, com uma ação na Justiça para tentar impedir que a matéria seja sancionada pelo Paço. Tatiana Lemos (PCdoB) considera que o relatório que elaborou a partir das duas audiências públicas que promoveu para discutir a matéria pode servir de base para a ação.

Por sua vez, Elias Vaz (PSB) prepara ação judicial contra o projeto tendo como fundamento irregularidades por ele apontadas, como a violação do Plano Diretor.

A apreciação do projeto foi marcada, de um lado, por fortes protestos de vereadores oposicionistas, que fizeram críticas contundentes à matéria e ao prefeito, e de outra parte, sem nenhuma manifestação de defesa dos aliados ao Paço, nem mesmo da líder do prefeito, Célia Valadão (PMDB). Coube a ela convocar uma reunião da bancada de apoio, a portas fechadas, minutos antes da votação em plenário.

Das galerias, o ato contra a venda das áreas foi comandado pelo ex-vereador Maurício Beraldo, atual presidente do diretório metropolitano do PSDB. De posse de um megafone, o tucano gritava palavras de ordem especificamente contra os vereadores que apoiam Paulo Garcia, afirmando que a proposta atendia tão somente aos interesses do mercado imobiliário, alijando do processo a possibilidade de construção de moradias populares.

Aliás, foram esses dois pontos que pautaram os discursos dos vereadores da oposição, que se revezaram na tribuna, puxados pela bancada do PSDB.

Ao declarar o seu voto, o tucano Geovani Antônio criticou Célia Valadão, afirmando que ela não teria cumprido palavra empenhada em audiência pública, de que garantiria, por meio de emenda, espaço para a construção de moradias populares. “Essa Casa vai ser cobrada, porque está rasgando mais uma página do Plano Diretor e privilegiando apenas o setor imobiliário”, disse. “Isso é lamentável, e só nos resta recorrer ao Poder Judiciário”.

Na avaliação da Drª Cristina Lopes, a votação do projeto do Paço mostra a submissão e agachamento da Câmara em relação ao capital imobiliário. “Dezenove vereadores votaram a favor da venda do patrimônio público municipal. Essa Casa vende o que é de todos para a destinação de uma minoria. Fica o nosso protesto, e que o Poder Judiciário nos salve”, conclamou.

Da mesma forma, Djalma Araújo (Solidariedade) afirmou que o Legislativo goianiense sucumbiu aos interesses da construção civil. “Nós vamos pagar um preço muito alto lá fora”, observou. “Quero ver como os vereadores que votaram a favor da venda dessas áreas vão pedir voto na casa de vocês”, disse apontado para populares que acompanhavam a sessão das galerias.

Os quatro integrantes do Bloco Moderado – Zander Fábio (PSL), Paulo da Farmácia (Pros), Divino Rodrigues (Pros) e drº Bernardo do Cais (PSC) – se abstiveram de votar, mas não assinalaram essa intenção no painel eletrônico. O grupo defendia emenda que contemplasse áreas para a construção de casas populares. Fonte: Jornal O Hoje