A assembleia geral extraordinária do Secovi Goiás, realizada hoje, representa mais do que um ato formal de deliberação sindical. Trata-se de um momento estratégico para todo o setor condominial e imobiliário, especialmente diante da análise, negociação e definição dos parâmetros da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com vigência a partir de 2026.
Ao comparar os índices aplicados na CCT do último exercício com as projeções e negociações atuais, é impossível ignorar o impacto direto que os reajustes salariais, benefícios e encargos trabalhistas exercem sobre a estrutura financeira dos condomínios. O ano anterior já foi marcado por pressões inflacionárias relevantes, aumento de custos operacionais e necessidade de readequação orçamentária por parte das administrações condominiais. Para 2026, o desafio se renova, exigindo decisões responsáveis, técnicas e juridicamente seguras.
Nesse contexto, é fundamental destacar que o Secovi atua com permanente cuidado e responsabilidade institucional, buscando sempre o equilíbrio entre as demandas trabalhistas e a realidade financeira dos condomínios. O papel do sindicato patronal vai além da simples negociação de índices: envolve a defesa da sustentabilidade do setor, a preservação da capacidade de pagamento dos condomínios e a construção de soluções que não inviabilizem a gestão condominial.
A assembleia do Secovi cumpre um papel essencial justamente por permitir que o setor patronal participe ativamente das negociações, buscando harmonia entre a valorização dos trabalhadores e a saúde financeira dos empreendimentos. Uma CCT equilibrada não interessa apenas às empresas ou aos sindicatos laborais, mas principalmente aos síndicos e condôminos, que sentem, na prática, os reflexos dessas decisões no valor da taxa condominial.
Como advogado especialista em Direito Condominial, faço uma observação importante aos síndicos: a CCT não deve ser vista apenas como um instrumento trabalhista, mas como um fator determinante na gestão condominial. Planejamento orçamentário, previsão de reajustes, análise de contratos de terceirização e adequação das folhas de pagamento devem caminhar de forma integrada e preventiva. Ignorar ou subestimar os impactos da CCT pode gerar desequilíbrios financeiros, inadimplência e, em casos mais graves, passivos trabalhistas.
O momento é de atenção, diálogo e profissionalização da gestão. A participação ativa nas assembleias do Secovi, o acompanhamento técnico das negociações coletivas e a assessoria jurídica especializada são ferramentas indispensáveis para que os condomínios atravessem 2026 com segurança, previsibilidade e responsabilidade.
O Direito Condominial moderno exige síndicos cada vez mais preparados — e decisões cada vez mais conscientes.
*Adriano Naves Teixeira é advogado Condominial e Imobiliário, Conselheiro Seccional da OAB/GO, diretor do Secovi Goiás, Diretor Institucional Legislativo da ANACON, Secretário-Geral da Comissão Especial de Direito Condominial, Conselho Federal da OAB e Presidente da Cedc da subseção da OAB de Senador Canedo.



























