Aprovados 52 candidatos nas provas orais do concurso para juiz substituto

Só para sentir essa alegria valeu viver 87 anos. Nada pode ser mais gratificante do que ver feliz quem a gente ama”. A declaração carregada de emoção é de Essy Oliveira, de 87 anos, tia-avó de Giuliano Morais Alberici, de 26 anos, um dos 52 aprovados na fase das provas orais do 56º Concurso Público de Juiz Substituto do Estado de Goiás, presidido pelo desembargador Leandro Crispim. Os resultados foram divulgados na tarde desta quarta-feira (13), na sala de sessões da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

Convicto do dever cumprido e da importância do cargo que vai exercer, Giuliano, atualmente assistente de juiz na 5ª Vara Criminal de Goiânia, se dedicou exclusivamente ao concurso desde que se formou em Direito há cinco anos, por meio de uma rotina exaustiva de estudos. “É preciso muita dedicação, renúncia, disciplina rígida e foco”, ensinou. Sobre o papel do magistrado na sociedade, ele é categórico no que tange a celeridade para a boa prestação jurisdicional. “Sem passar por cima dos princípios constitucionais e do rito natural, precisamos ser céleres, imparciais e primar pela eficiência. A perda de tempo prejudica a boa distribuição da justiça”, acentuou. Com relação aos projetos do TJGO como Acelerar Previdenciário e Justiça Ativa, Giuliano afirma que se colocará à disposição para participar das ações. “Essas iniciativas do Tribunal goiano são louváveis, otimizam o trabalho e garantem o direito dos cidadãos”, frisou.

O desembargador Leandro Crispim  parabenizou todos os aprovados que passarão, a partir de agora, a compor a magistratura goiana, e chamou a atenção de todos para o momento atual que, a seu ver, exige maior firmeza e independência do juiz, de modo a resguardar a imagem pública e a dignidade do próprio Poder Judiciário. “Sejam, portanto, a garantia da efetividade das normas protetoras dos direitos essenciais do homem, desprendidos para julgar consoante os movimentos de sua consciência, sempre apoiados no direito vigente e em decisões fundamentadas. E lembrem-se que, onde há exercício de poder, há de existir responsabilidade sobre o poder exercido”, preveniu.

Crispim lembrou que as prerrogativas conferidas aos membros da magistratura nacional não são privilégios concedidos exclusivamente à pessoa do juiz, mas direitos especiais auferidos em razão da importante natureza do cargo e visam unicamente ao interesse da sociedade. “Os magistrados possuem garantias constitucionais que visam proteger a independência do exercício da função jurisdicional, que deverá ser exercida com imparcialidade, seriedade e exatidão”, asseverou. O desembargador também destacou a árdua tarefa da banca examinadora de escolher os novos magistrados. “Essa missão requer prudência, equilíbrio e sensibilidade, sobretudo pela natureza e relevância do cargo, que exige de um juiz comprometimento e seriedade no desempenho da função jurisdicional”, enfatizou, ao enaltecer todos os integrantes da banca.

Unânimes acerca do bom trabalho desenvolvido para a realização do concurso, examinadores e componentes da banca, teceram elogios a Leandro Crispim pela condução idônea, transparente e humana de todas as atividades e fases do certame. Por sua vez, o desembargador agradeceu os elogios e disse que o êxito e o reconhecimento só foi possível em razão do esforço conjunto e da harmonia e o respeito mútuo estabelecido entre todos. Na sequência, o juiz Márcio de Castro Molinari, auxiliar da Presidência e um dos membros da banca, reforçou a necessidade de uma nova força de trabalho para o Judiciário goiano, uma vez que muitas comarcas precisam de juízes. “Tenho certeza de que estamos diante de magistrados vocacionados e aguardamos ansiosos pela posse dos novos juízes, que muito irão agregar e contribuir para a efetiva distribuição da Justiça”, realçou.

Para os juízes Marcus Ferreira da Costa, Paulo César Alves das Neves, Fabiano Abel Aragão Fernandes e Liliana Bittencourt, integrantes da banca, agradeceram a confiança depositada por Crispim e a convivência saudável e profícua. Além de estimularem os aprovados a enfrentarem com coragem os novos desafios impostos pela magistratura, também deixaram uma mensagem positiva aqueles que não foram aprovados. “Aos que foram aprovados, desejamos que estejam devidamente preparados para atender com sabedoria, imparcialidade, humanidade e presteza essa missão de vida que é a magistratura. Que vocês possam praticar o verdadeiro sentido da Justiça. Aos que não obtiveram sucesso dessa vez, não desistam, pois vocês estão no caminho certo: o da perseverança”, encorajaram. O representante da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Flávio Buonaduce, também fez o mesmo apelo aos candidatos que não alcançaram a aprovação e também falou sobre a honra e satisfação de compor a banca por três vezes. “Peço que vocês continuem tentando porque precisamos de juízes em todas as comarcas. No decorrer desses anos, posso dizer do orgulho de fazer parte dessa banca examinadora, pois não ganhei apenas amigos e companheiros e sim muito conhecimento”, pontuou.

Sensibilidade aos problemas sociais
Após quatro anos de dedicação com privações de toda ordem e um longo percurso para alcançar seu objetivo, a advogada Érika Barbosa Gomes, de 27 anos, também aprovada nessa fase do concurso e que exerceu por um tempo a função de conciliadora do TJGO, acredita que um juiz mais humano e sensível aos problemas sociais será capaz de desempenhar melhor seu cargo e concretizar seu papel jurisdicional. “Coaduno com a ideia do TJGO de promover a conciliação sempre, de estar aberto ao diálogo franco com os servidores e colegas e de ter um perfil humanizado. A Justiça só tem sentido quando conseguimos servir o jurisdicionado com esses valores”, evidenciou. Para a cabeleireira Maria do Rosário Gomes, de 52 anos, que acompanhou cada passo da filha, a emoção de ver a filha atingir um sonho tão almejado é indescritível. “Ela é muito dedicada e estou certa de que minha filha será uma das melhores juízas desse Estado”, assegurou.

Também estiveram presentes na divulgação dos resultados o desembargador Edison Miguel da Silva Júnior e os juízes Wilton Müller Salomão, presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), e Sebastião Assis Neto, auxiliar da Presidência do TJGO. O concurso abrangeu cinco etapas: uma prova objetiva seletiva, duas escritas, todas de caráter eliminatório e classificatório; sindicância da vida pregressa e investigação social, exame de sanidade física e mental, exame psicotécnico (eliminatório); uma prova oral, de caráter eliminatório e classificatório; e avaliação de títulos, de caráter classificatório.

Fazem parte da Comissão Examinadora desembargador Leandro Crispim (presidente), suplente: desembargador Itaney Francisco Campos; desembargador Edison Miguel da Silva Júnior, suplente: juíza Liliana Bittencourt; juiz Marcus da Costa Ferreira, suplente: juiz Sival Guerra Pires; juiz Paulo César Alves das Neves, suplente: juíza Sirley Martins da Costa; juiz Fabiano Abel de Aragão Fernandes, suplente: juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva; juiz Wilton Müller Salomão, suplente: juiz Márcio de Castro Molinari; Flávio Buonaduce Borges, representante da OAB-GO, suplente: Sérgio Franco Leão – OAB – GO; Secretária do Concurso: Geovana Rios Vellasco de Camargo. Fonte: TJGO