O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) registrou, em 2025, o maior índice de realização de audiências de conciliação entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país. Com percentual de 92,6%, a Justiça do Trabalho em Goiás ficou na primeira posição do ranking nacional do segmento, segundo o relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ao longo do ano, foram realizadas 74.020 audiências de conciliação na fase de conhecimento e pré-processual da primeira instância. O percentual alcançado pelo TRT-GO ficou acima do índice de 27,6% registrado pela Justiça do Trabalho em todo o país.
O indicador utilizado pelo CNJ relaciona o número de audiências de conciliação realizadas à quantidade de novos processos recebidos, permitindo a comparação entre os tribunais.
Quando considerados conjuntamente os tribunais estaduais, federais e trabalhistas apresentados no relatório, o índice de 92,6% coloca o TRT-GO na segunda posição nacional. O maior percentual foi registrado pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), com 98%.
Para o presidente do TRT-GO, desembargador Eugênio Cesário, o resultado demonstra que a conciliação está incorporada à atuação do Tribunal. Segundo ele, magistrados e servidores trabalham para aproximar as partes e criar condições para uma solução consensual dos conflitos.
“Esse desempenho demonstra que a conciliação faz parte da cultura do nosso tribunal. É um trabalho construído diariamente por magistrados e servidores, que buscam aproximar as partes e criar condições para que elas próprias encontrem uma solução para o conflito. Mais do que os números, o que importa é a possibilidade de entregar uma resposta mais rápida e efetiva a quem procura a Justiça do Trabalho”, afirmou.
Cejuscs
Parte da atuação conciliatória do TRT-GO é concentrada nos Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejuscs), unidades especializadas na tentativa de acordo entre trabalhadores e empregadores.
A conciliação ocorre principalmente no início dos processos, mas também pode ser realizada em outras etapas. Somente na fase de execução, foram promovidas 5.636 audiências conciliatórias em 2025.
Atualmente, o TRT-GO possui seis Cejuscs. Há unidades em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Rio Verde. O Cejusc Sul, sediado em Itumbiara, atende também as regiões abrangidas pelas Varas do Trabalho de Quirinópolis e Goiatuba.
A estrutura é integrada ainda pelo Cejusc Digital, responsável pelo atendimento das demais Varas do Trabalho do interior, e pelo Cejusc de segundo grau, que atua nos processos em tramitação no Tribunal.
Além dos centros especializados, as 48 Varas do Trabalho de Goiás também promovem tentativas de conciliação ao longo dos processos.
Atendimento digital
No Cejusc Digital, as audiências iniciais das unidades atendidas são realizadas por videoconferência e já começam com tentativa de acordo. O modelo reúne conciliadores que passam por curso de formação de 100 horas e se dedicam ao estudo dos processos e à condução das audiências.
Segundo o juiz-coordenador do Cejusc Digital, Eduardo Tadeu Thon, a especialização dos conciliadores possibilita ampliar o diálogo e a formulação de alternativas para que as próprias partes construam uma solução.
O funcionamento do Cejusc Digital também foi destacado pelo corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, durante correição realizada no TRT-GO em agosto.
Na ocasião, o ministro classificou a experiência como inédita no país por levar a conciliação às varas únicas do interior que não possuem Cejusc presencial. Segundo ele, a iniciativa deverá ser apresentada pela Corregedoria-Geral como boa prática para outros tribunais.
Freire Pimenta também propôs ampliar a conciliação em processos com recurso de revista antes do encaminhamento ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), sempre que houver possibilidade de acordo.
Quase metade termina em acordo
Os números do Tribunal indicam que a conciliação também representa parcela significativa dos processos efetivamente solucionados em Goiás.
Em 2025, 49,16% dos processos solucionados pelas Varas do Trabalho do estado foram encerrados por meio de acordo.
De janeiro a julho de 2026, o percentual ficou em 47,1%. Foram 19.005 conciliações entre 40.350 processos solucionados no período.
Os acordos também responderam pela maior parcela dos valores pagos aos trabalhadores nos sete primeiros meses deste ano. Dos R$ 791,1 milhões destinados aos reclamantes, R$ 474,7 milhões, cerca de 60%, decorreram de conciliações.
Outros R$ 224,6 milhões foram pagos por meio de execuções forçadas e R$ 91,8 milhões por pagamentos espontâneos.
































