Defesa deixa plenário do Tribunal do Júri após manifestações da plateia e pede dissolução do Conselho de Sentença

A defesa de Diego Fonseca Borges comunicou, na tarde desta quinta-feira (4), que deixou o plenário do Tribunal do Júr, em Jataí,  no interior do Estado, após manifestações da plateia durante a realização do julgamento do cliente. Segundo os advogados Mirelle Gonzales Maciel, Álvaro Assis, Rodrigo Lustosa, as reações do público ocorreram no momento da impugnação de uma testemunha e teriam sido claramente percebidas pelos jurados, comprometendo a necessária imparcialidade do Conselho de Sentença.

Conforme relatado, a equipe de defesa consignou em ata o episódio e requereu a dissolução do Conselho de Sentença, sob o argumento de que a contaminação do ambiente inviabilizava o prosseguimento do julgamento. O pedido, entretanto, foi negado pelo juiz presidente, Daniel Maciel Martins Fernandes. Diante da negativa, os advogados anunciaram a retirada do plenário, afirmando tratar-se de medida legítima para resguardar as garantias processuais.

Os defensores informaram que solicitarão a redesignação da sessão e também estudam pedir o desaforamento do caso, com o objetivo de assegurar que o julgamento ocorra sem interferências externas. Ressaltaram que não se trata de manobra processual, mas de preservação da isenção e da independência dos jurados, em conformidade com as exigências legais do Tribunal do Júri.

Os advogados destacaram ainda que sempre pediram a realização do julgamento e que, por duas vezes, advertiram o magistrado sobre manifestações indevidas da plateia. Diante da reiteração dos episódios, sustentaram que não havia condições de continuidade da sessão.

Os advogados afirmaram esperar um novo júri em ambiente adequado, “respeitando todas as garantias funcionais e a memória da vítima”.

O caso

Conforme a denúncia do Ministério Público, Diego Fonseca Borges atirou contra a namorada, Ielly Gabriele Alves, em 2023, enquanto ela conversa com ele. Um vídeo feito por ela registrou o momento da morte.

Nas imagens do vídeo,  conforme sustentado pelo órgão ministerial, é possível ver quando Ielly filma Diego, que está segurando uma arma. Em certo momento, enquanto ela conversa com ele em tom descontraído, ele aponta a arma e dispara contra ela. Logo em seguida, a jovem cai e a gravação para. Na ocasião, Diego tinha 27 anos, e Ielly, 23.

Segundo a defesa, o caso foi um acidente. A arma disparou e Diego deu socorro imediatamente levando a namorada para o hospital. “O vídeo divulgado possui som e pode demonstrar o contexto dos fatos”, afirmam os advogados.

Veja o que disse a defesa