MP denuncia acusado de participar de chacina do Morro do Mendanha

O promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargo ofereceu hoje (13/5) denúncia contra Paulo Henrique do Carmo Silva por participação na morte de quatro mulheres no Setor Petrópolis, em crime que ficou conhecido como a chacina do Morro do Mendanha. O denunciado contou com a ajuda dos menores S.A.F. e D.A.A, cujas condutas são apuradas em processo no Juizado da Infância e da Juventude.

Além da denúncia, o promotor pede que seja decretada a prisão preventiva do denunciado para garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e por conveniência da instrução criminal. Atualmente, Paulo Henrique está preso por força de prisão temporária. A preocupação do Ministério Público é de que, caso esteja livre, o denunciado possa cometer novos crimes.

Paulo Henrique foi denunciado pelos crimes de homicídio qualificado contra as quatro vítimas. Em relação a duas delas, a acusação envolve as qualificadoras de motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No caso das outras duas, a acusação é de uso de recurso que impossibilitou a defesa e crime cometido para assegurar a impunidade de outro crime.

O caso

Segundo consta na ação, as quatro vítimas, Ana Kelly Martins, de 20 anos; Mylleide Morgana Lagario, de 19; Sinara Monteiro, de 16 e Rayane Kelly, de 15, eram usuárias de drogas e estavam frequentemente juntas, sendo que as duas mais novas namoravam os menores de idade referidos na denúncia.

Em uma das visitas de Sinara e Rayane à casa que o acusado dividia com os menores, D. pegou o celular da namorada Rayane para ouvir música e, ao manuseá-lo, viu uma mensagem de texto que julgou ter sido enviada a um policial, delatando-o. A mensagem dizia: “estou em local impróprio com pessoas impróprias e não posso te atender”.

No dia seguinte, Paulo Henrique e os menores ligaram no número da mensagem e reconheceram a voz um policial que trabalhava na região. A partir de então, o denunciado e os menores constataram que estavam mesmo sendo delatados por Rayane e Sinara e resolveram matá-las.

Na noite do crime, após estabelecer o plano, os três foram buscar as vítimas em uma boate no Conjunto Vera Cruz 1 e as convidaram para continuar a festa em outro lugar. Após chegarem ao local onde as vítimas foram mortas, Paulo Henrique e os dois menores mandaram que as quatro descessem e se deitassem no chão, explicando que as matariam por terem sido delatados por Sinara e Rayane. Esta se virou para justificar e recebeu dois tiros efetuados pelo menor S. Na sequência, cada uma foi morta com um tiro na cabeça desferido pelo mesmo menor. Em seguida, os três fugiram.

Receosos por causa da grande repercussão do fato na imprensa, Paulo e os dois menores fugiram para a casa de um amigo em Novo Gama, na região do Entorno do Distrito Federal, onde foram capturados por ordem judicial. Na ocasião, o denunciado estava andando na rua acompanhado pelo menor D., com quem foi apreendido um revólver. Após exame de confronto microbalístico, constatou-se ser a mesma arma usada para matar as vítimas.