Alta de preços no mercado têxtil por conta do coronavírus é abusiva, alerta presidente da CDC

Renata Abalém afirma que o desequilíbrio econômico causado pelo surto será sentido no mercado brasileiro com mais demanda do que oferta

Com o avanço de casos do Coronavírus, os portos chineses pararam de escoar mercadorias e quem depende de produtos e matérias-primas importadas de lá pode sofrer uma crise econômica. Para a presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Renata Abalém, embora muitas empresas tenham se prevenido e antecipado as compras, o desequilíbrio econômico causado pelo surto será sentido no mercado brasileiro com mais demanda do que oferta, culminando na alta dos preços e falta de produtos.

“A China é essencial para o mercado têxtil brasileiro. Quem tentou fazer estoque logo que começaram as primeiras notícias do Coronavírus teve um desembolso financeiro muito alto, não programado, o que contribui para uma desproporção nas contas. Considerando que muitos empresários brasileiros já gastaram e não receberão as mercadorias tão cedo, o prejuízo pode ser alto e, dependendo do porte do negócio, poderemos ter muitas empresas quebrando em breve”, acredita.

Segundo a especialista, já há notícias de alta de preços de matéria-prima para a indústria têxtil de 10% em razão da corrida por mercadorias. “Há muito menos fios disponíveis, a indústria chinesa está parada, os portos também. Então, quem é distribuidor e tinha estoque, já está tirando proveito da situação para lucrar em cima da alta da demanda, o que é considerado prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor e crime contra a Ordem Econômica”, alerta.

Na avaliação de Renata, em um primeiro momento, os empresários brasileiros que dependem de matéria-prima chinesa para desenvolver suas peças de vestuário podem absorver os custos, mas chegará um ponto em que se não for repassado ao consumidor, a indústria brasileira têxtil poderá quebrar.

“Temos dois cenários possíveis e ambos são ruins. Ou vamos deixar de produzir peças por falta da mercadoria vinda da China, ou lançaremos mão de matéria-prima produzida no Brasil ou em outros países, cujo valor é bem maior, e vamos inflacionar o mercado”, conta.

“Hoje, o Brasil compra da China porque os fios são vendidos com um preço cerca de 50% mais barato do que outros locais. Se colocarmos o preço de outros fornecedores, teremos roupas sendo vendidas a preços muito maiores do que o que temos hoje e a demanda certamente vai cair, criando estoques e gerando uma crise na cadeia produtiva que poderá se alastrar para outros segmentos, como o de petróleo”, ressalta.

Para os empresários que compraram matéria-prima chinesa e não receberam, é possível desfazer o negócio e receber o dinheiro de volta, afirma Renata. “Para tentar diminuir o prejuízo e comprar de outros fornecedores, o empresário brasileiro tem direito de desistir da compra dos insumos, sem qualquer ônus, até porque não sabemos até onde vai chegar a epidemia e em que momento a China terá condições de retomar as atividades normais”, conclui. Fonte: OAB-GO