A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a possibilidade de redução da jornada de trabalho, sem impacto nos salários, ganhou destaque nas agendas política e sindical do país. O tema está em análise no Congresso Nacional e tem respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de integrantes do governo federal, além de ser defendido por centrais sindicais e movimentos sociais como uma das principais pautas do momento.
Levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, publicado no Portal Rota Jurídica, aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário. A pesquisa foi realizada nas 27 unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 deste mês, com 2.021 entrevistados acima de 16 anos.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esclareceu que a maioria dos consultados (62%) sabe que há em debate, no âmbito do governo federal e do Congresso Nacional, a proposta de acabar com a escala 6×1, embora parte significativa ainda desconheça o tema.
“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, afirmou Tokarski.
Asind
Nesse contexto, a Associação dos Advogados Sindicais de Goiás (Asind) manifestou apoio ao encerramento da escala de trabalho 6×1. Em nota pública, a entidade sustenta que a medida impacta diretamente a dignidade de trabalhadores e contribui para a construção de jornadas mais equilibradas.
Segundo a presidente da Asind, a goiana Arlete Mesquita, a mudança permite maior harmonia entre vida profissional e pessoal, com efeitos concretos sobre a saúde e o bem-estar.
“Trata-se de uma medida que toca diretamente a dignidade de trabalhadores e trabalhadoras, permitindo maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Com mais tempo de descanso contínuo, há impactos claros na saúde física e mental, redução do estresse, melhora do convívio familiar e maior disposição para o próprio trabalho. Um trabalhador descansado não apenas vive melhor, mas também trabalha com mais foco, segurança e motivação”, afirmou.
Arlete Mesquita também ressaltou que a revisão da escala não deve ser vista como prejuízo para empregadores, mas como oportunidade de fortalecimento das relações laborais.
“Do ponto de vista dos empregadores, a superação da escala 6×1 não representa perda, mas ganho estratégico. Ambientes laborais que respeitam limites humanos tendem a registrar menor rotatividade, menos afastamentos por adoecimento e maior engajamento das equipes. A produtividade cresce quando há qualidade de vida, pois pessoas descansadas erram menos, atendem melhor, produzem com mais eficiência e desenvolvem senso de pertencimento à empresa. O investimento em jornadas mais equilibradas retorna em forma de resultados sustentáveis e relações de trabalho mais estáveis”, completou.
A presidente destacou ainda que o tempo livre conquistado com o fim da escala 6×1 amplia possibilidades de desenvolvimento humano em sentido amplo.
“Trabalhadores passam a ter condições reais de estudar, praticar esportes, participar de atividades culturais, fortalecer laços comunitários e buscar qualificação profissional. Esse movimento não beneficia apenas o indivíduo, mas toda a sociedade, que se torna mais saudável, educada e produtiva. Garantir tempo para viver é também promover cidadania, inclusão e desenvolvimento social”, concluiu.
Com a nota pública, a Asind reafirma o compromisso com a valorização do trabalho e com a construção de relações laborais mais justas e sustentáveis.
Na CCJ
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) uma Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
A comissão deve analisar provavelmente em maio duas propostas que tramitam apensadas: a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O colegiado analisará a admissibilidade. Se aprovada, a proposta seguirá para uma comissão especial.
“É importante lembrar que, quando nossa carteira de trabalho foi criada, fizeram péssimas projeções. A escala 6×1 precisa ser diminuída. Vamos dar um passo firme na dignidade do trabalhador, mais qualidade de vida e respeito aos brasileiros”, afirmou.




























