Pesquisa mostra apoio de 84% dos brasileiros ao fim da escala 6×1, e Câmara prevê votação da PEC em maio

A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 deve avançar na Câmara dos Deputados nas próximas semanas, com previsão de votação em maio. A expectativa foi anunciada na última terça-feira (10) pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao comentar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo atual de jornada semanal.

“O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar pra trás. Vamos capitanear a discussão ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de votação em maio”, afirmou Motta, em publicação em rede social.

Na segunda-feira (9), o parlamentar informou o envio do texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Após a análise de admissibilidade, a proposta deverá ser debatida em uma comissão especial antes de seguir ao plenário.

Pesquisa

O debate ocorre em meio a dados que indicam amplo respaldo social à mudança. Pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, realizada nas 27 unidades da Federação entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro, aponta que 84% dos brasileiros defendem que os trabalhadores tenham ao menos dois dias de descanso por semana. O levantamento ouviu 2.021 pessoas com mais de 16 anos.

Segundo o estudo, 73% apoiam o fim da escala 6×1 desde que não haja redução salarial. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou à Agência Brasil que 62% dos entrevistados sabem que há uma proposta em discussão no Congresso e no governo federal para acabar com o modelo atual.

“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, disse.

De forma geral, 63% se declararam favoráveis ao fim da escala. No entanto, o apoio diminui quando a hipótese envolve perda de remuneração. Com redução salarial, apenas 28% mantêm posição favorável, enquanto 40% afirmam apoiar a mudança somente se não houver impacto no rendimento.

Tokarski avalia que a principal controvérsia no Congresso será justamente a possibilidade de redução da jornada com ou sem diminuição dos salários. Para ele, o levantamento evidencia que a maioria deseja uma folga adicional, mas rejeita a medida caso implique perda financeira.

“Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. Segundo ele, em um país de renda média baixa e trabalho precarizado, poucos aceitam ter mais descanso se isso significar menos dinheiro no fim do mês.