Quem tem em mente que o interior do Brasil é terra de gente sem perspectiva e pouco produtiva, fica surpreso ao ver os resultados da pesquisa do Serviço Nacional de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) realizada em conjunto com o Instituto Data Popular. De cada R$ 10 gastos no País, R$ 4 são gastos no interior. Trata-se de um consumo que movimenta R$ 827 bilhões ao ano e equivale a 38% de todos os gastos do País. Considerando o caso goiano, o Estado é destaque quando se trata do Centro-Oeste. É em Goiás que está concentrado 51% da população que vive no interior desta região brasileira, que correspondem a quatro milhões de habitantes, dos sete milhões que vivem no interior do Centro-Oeste. Trata-se do menor contingente de pessoas vivendo fora das capitais e regiões metropolitanas do País.
Interior não significa fazendas, roça ou zona rural, ao contrário, três de cada quatro habitantes vivem nas cidades, o que significa que 74% da população reside na área urbana. Porém, um fato triste desta realidade é que 895 mil pessoas vivem em favelas. Só no Centro-Oeste são 11 mil pessoas. Mas é fora dos grandes centros que está a maior parte das famílias cadastradas em programas sociais do governo federal. No Brasil, são 15,3 milhões; no Centro-Oeste são um milhão de famílias; em Goiás, 532 mil.
Perfil
A pesquisa mostra que, de 47,3 milhões de brasileiros que vivem no interior do País, 50% são homens e 50%, mulheres. Com uma leve diferença de 300 mil mulheres a mais. 31% dos moradores tem até 17 anos de idade, enquanto nas capitais e regiões metropolitanas são 28%. Dos que vivem fora dos grandes centros, 53% se declaram negros, quatro milhões residem no Centro-Oeste. O nível de escolaridade é menor no interior na proporção 72% para o ensino fundamental, 20% médio e 8% superior. Enquanto nas capitais é de 56% para o ensino fundamental, 29% médio e 15% superior.
Nas capitais, 52% das pessoas estão ocupadas, para 48% do interior. A renda no interior é mais baixa: 77% ganha até dois salários mínimos. A informalidade também é maior, com 24% das pessoas trabalhando sem carteira assinada. Dos R$ 2 bilhões de massa salarial produzida no Centro-Oeste, Goiás responde por R$ 1 bilhão, que significa 46%. Mais de 236 mil trabalhadores são empregados de pequenos negócios que geram R$ 256 milhões em salários.
Fatores
O consultor do Sebrae-GO de Políticas Públicas e Serviços Financeiros, Celismarques Antonio de Oliveira, explica que os resultados mostram um cenário bastante positivo para Goiás, principalmente se comparado aos outros Estados do Centro-Oeste. Goiás tem mais municípios que o Mato Grosso e que o Mato Grosso do Sul, e os municípios são mais urbanizados. E mesmo quem vive no interior não está confinado nas propriedades rurais.
Oliveira relata que Goiás está na vanguarda de outros Estados, pois consegue atrair grandes empresas para o interior, o que favorece o desenvolvimento descentralizado, atrai outras empresas de menor porte, polos de desenvolvimento e acaba retendo as pessoas nos municípios. “Acredito que cinco fatores são determinantes para o desenvolvimento do interior goiano: as políticas públicas de municipalização, a política nacional de acesso à informação, menores índices de violência, maior quantidade de trabalho cooperativo e um programe consolidado de incentivos fiscais para atração de novas empresas”, conclui. Fonte: Jornal O Hoje































