Podcast de Pedro Paulo com advogadas discute problemas e soluções para maior inserção delas nos cargos da OAB-GO

Pré-candidato Pedro Paulo de Medeiros
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O pré-candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás (OAB-GO), Pedro Paulo de Medeiros, realizou no dia 16 passado um podcast com um bate-papo – que também foi transmitido em live, pelo seu perfil de Instagram (onde permanece disponível no IGTV) – com as advogadas Patrícia Miranda, Nara Bueno e Priscilla Abrantes sobre o tema “Sustentação”.

Em clima de muita descontração, o grupo discutiu as principais dificuldades e expectativas enfrentadas pelas mulheres em busca de maior inserção nos espaços de poder, não apenas na Ordem, como também em outras instituições, empresas, na vida política, entre outros. Na oportunidade, questões muitos comuns, mas extremamente sensíveis ao universo feminino – como a jornada dupla e às vezes tripla de trabalho – foram abordadas de forma despojada, informal, mas sem deixar de lado a busca por soluções e por mais debate sobre o tema.

Anfitrião, Pedro Paulo de Medeiros reiterou que segue defendendo que os cargos na OAB-GO contem com mais mulheres que homens, já que, segundo levantamentos, mais da metade dos profissionais da advocacia no Brasil são do sexo feminino. “Nada mais coerente que elas sejam maioria na Ordem, se quiserem. Não vejo problemas, pelo contrário. Vejo ganhos”, pontuou. Pedro Paulo esclareceu que seu ponto de vista se deve, em grande parte, à sua história de vida. “Minha mãe sempre foi uma mulher forte, que desde muito cedo tomou as rédeas da própria vida, conquistou o que quis e se deu bem. Era a força lá de casa”.

Disparidade de oportunidade

A advogada Priscilla Abrantes comentou, entre outros aspectos, a disparidade de oportunidade para as mulheres competirem no mercado de trabalho com os homens, até mesmo pela falta de tempo. “A gente tem de estar ali, sendo profissional, mas sendo também mãe, esposa, administrando a casa – e que aqui me perdoem os maridos que ajudam, que são parceiros, mas que ainda são minoria – enquanto o colega está com tempo disponível para cumprir prazos, adiantar suas peças processuais, fazer especializações. Não é justo”.

Nara Bueno lembrou uma situação na qual um cliente pediu orçamento para que ela patrocinasse uma causa e, no momento em que Nara informou o valor, ele se assustou, afirmando que ela estava cobrando o mesmo que um “advogado homem” havia cobrado. “Foi um episódio muito marcante, sobretudo porque o advogado em questão, embora fosse homem, não tinha especialização na área relacionada ao caso do cliente, e eu tinha. Argumentei que meu valor era aquele e ponto final. O contrato foi fechado comigo, foi uma vitória mas, ainda assim, triste de se vivenciar”.

Ela também falou das cobranças impostas às mulheres nos ambientes forenses com relação à estética. “São lugares onde se exige postura e trajes impecáveis. Tudo bem, mas isso, para a mulher, é também mais difícil porque tem o cabelo, tem a maquiagem e uma série de detalhes com os quais os homens não precisam se preocupar. Embora pareça algo pequeno, faz diferença no momento em que você busca ser pontual, sem falar no risco de aparecer sem maquiagem e ter de ouvir que está pálida, está doente, está assim ou assado. É muita cobrança”.

Para Patrícia Miranda, esses debates devem ser mais frequentes e grupos de trabalho precisam se organizar, na OAB-GO, para tratar o tema com seriedade, em busca de soluções efetivas e que contemplem não apenas as mulheres que querem ter alguma posição na entidade, mas também as advogadas que não se interessam pela política classista mas querem ser respeitadas e reconhecidas no ambiente de trabalho, inclusive com igualdade de remuneração, entre outros aspectos.

“A questão que se impõe é: além de assegurar no mínimo 50% ou mais de mulheres na Ordem, o que mais pode ser feito e de que forma? É sobre isso que temos de nos debruçar, perguntar, planejar. Há muito a se fazer pelas mulheres em todas as esferas. No nosso caso, na OAB”. Aproveitando o gancho, Pedro Paulo encerrou a live, já aos 58 minutos de bate-papo, convidando todas as mulheres que tenham interesse em integrar a Ordem a procurá-lo para, juntos, trabalharem nesse sentido.