Juíza recebe denúncia contra síndico acusado de matar corretora e prisão é convertida em preventiva

A denúncia aponta que corretora Daiane Alves de Sousa foi morta pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira
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A juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas, recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) contra o síndico Cleber Rosa de Oliveira, acusado de matar a corretora de imóveis Daiane Alves de Sousa, crime ocorrido em 17 de dezembro do ano passado, naquele município. Com o recebimento da acusação, teve início a ação penal.

Na mesma decisão, a magistrada revogou o segredo de justiça que havia sido decretado durante a fase investigativa, medida adotada para resguardar as apurações criminais. Também converteu a prisão temporária do acusado em preventiva.

O réu responderá por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e mediante emboscada, circunstâncias que, em caso de condenação, podem elevar a pena.

Relação profissional e conflitos

Segundo a denúncia, Daiane residia em Caldas Novas e administrava imóveis pertencentes à família no complexo Golden Thermas Residence, onde também morava, no Edifício Amethyst Tower. Parte dos apartamentos havia sido anteriormente administrada pelo acusado, que exercia a função de síndico do condomínio.

Em novembro de 2024, a relação comercial foi encerrada, passando a vítima a assumir diretamente a gestão dos imóveis e dos contratos de locação. De acordo com o Ministério Público, a mudança teria provocado conflitos entre ambos, com a criação de obstáculos às atividades profissionais e à rotina pessoal da corretora.

Registros policiais e ação judicial

A denúncia aponta que a primeira comunicação formal feita por Daiane à Polícia Civil relatando ameaças ocorreu em 29 de dezembro de 2024. Após esse registro, foram lavrados outros boletins de ocorrência relacionados a supostos episódios de ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação e injúria.

O último registro foi realizado em 16 de dezembro de 2025, um dia antes do crime, quando a vítima informou que apartamentos de sua propriedade estavam com fornecimento de energia elétrica interrompido.

Antes disso, Daiane havia ajuizado ação contra o condomínio Golden Thermas Residence – Bloco Amethyst Tower, questionando medidas administrativas que, segundo sustentou, restringiam o exercício de sua atividade profissional e o uso de áreas comuns. A Justiça reconheceu o direito da corretora de circular e exercer suas atividades no local, com trânsito em julgado ocorrido em 10 de dezembro de 2025, sete dias antes do desaparecimento.

Dinâmica descrita pelo MPGO

Conforme narrado pelo Ministério Público, no dia do crime o acusado teria desligado o disjuntor geral do apartamento da vítima para induzi-la a descer ao subsolo do edifício. Durante o trajeto até a garagem, Daiane teria gravado vídeos com o telefone celular, dois deles enviados em tempo real a uma amiga.

Um terceiro vídeo, recuperado posteriormente pela Polícia Civil, registraria o momento do ataque. Segundo a acusação, a vítima foi surpreendida por trás pelo denunciado, que estaria utilizando luvas e cobrindo o rosto.

Ainda de acordo com o MPGO, após imobilizá-la, o acusado teria efetuado dois disparos de arma de fogo na cabeça da vítima. Em seguida, teria transportado o corpo em um veículo Fiat Strada até o local onde foi encontrado em 28 de janeiro deste ano, já em estado avançado de decomposição.