Juíza decreta prisão preventiva de delegado Dannilo Proto; defesa afirma que medida é desnecessária

O delegado de Polícia Civil Dannilo Ribeiro Proto teve a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira (22), durante audiência de custódia presidida pela juíza Lívia Vaz da Silva. A magistrada determinou que ele seja encaminhado à Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia, onde permanecerá custodiado

A prisão preventiva é mais um capítulo da Operação Regra de Três, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MPGO) nesta quinta-feira (21). Segundo as investigações, o delegado e sua esposa, a professora Karen de Souza Santos Proto, chefiariam uma suposta organização criminosa responsável pelo direcionamento ilícito de contratos e pela apropriação indevida de recursos destinados a reformas de escolas estaduais de Rio Verde.

O Gaeco também aponta supostas irregularidades em contratos para impressão de material didático e na contratação de instituto ligado ao casal para a realização de concurso público pela Câmara Municipal de Rio Verde. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, contratação direta ilegal, falsidade ideológica e lavagem de capitais.

Defesa

O advogado Rogério Leal, que atua na defesa de Dannilo e da esposa, afirmou ao Rota Jurídica que a prisão preventiva do delegado é desnecessária e não encontra respaldo nos fatos apresentados. Segundo ele, a medida é desproporcional, uma vez que “dentro da alegada organização criminosa, apenas o delegado se encontra preso”.

O defensor destacou ainda que Dannilo é primário, possui bons antecedentes, é servidor público há mais de dez anos, reside em Rio Verde desde o nascimento e tem vínculos familiares e profissionais consolidados na cidade.

Leal também rebateu a acusação de ameaça a testemunha, apontando inexistência de provas. O advogado ainda classificou os fundamentos apresentados pelo MPGO como “vagos e baseados em espetáculo midiático”, enfatizando que “todas as questões serão esclarecidas durante a instrução probatória”.

Nota da Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil informou que prestou apoio operacional ao MPGO na deflagração da operação e reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência:

“A Polícia Civil de Goiás informa que eventuais dados relativos à participação de servidores da corporação nas investigações já estão sendo encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil, para apuração de possíveis transgressões disciplinares, observados o devido processo legal e a ampla defesa. A instituição não compactua com condutas ilícitas e segue colaborando com os órgãos de controle e fiscalização para o pleno esclarecimento dos fatos.”