Google vai monitorar movimentação de pessoas, mas advogado explica que dados não são individualizados

O Google lançou um novo recurso que poderá ajudar autoridades a saber se políticas de distanciamento social estão sendo seguidas em meio à pandemia do coronavírus. Dados de localização de usuários obtidos em 131 países diferentes, inclusive no Brasil, mostrará a movimentação das pessoas em diferentes locais. Para o advogado Rafael Maciel, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados Pessoais, a medida é pertinente, mas é fundamental que a empresa tenha cautela para que a privacidade das pessoas não seja afetada.

“Não se pode permitir que qualquer medida seja tomada sob o argumento de que estamos vivendo uma pandemia. Antes de qualquer coisa, é fundamental que as autoridades e empresas tenham cuidado para que nossas liberdades individuais não sejam afetadas”, defende o advogado.

Em uma primeira versão do relatório, referente ao dia 29 de março, é possível verificar que a movimentação do brasileiro em lojas e locais de recreação caiu 71%, na comparação com a média dos mesmos locais nos domingos das semanas entre 3 de janeiro e 6 de fevereiro. Em mercados e farmácias, esse índice foi de queda de 35%; em escritórios, a baixa foi de 34%. Já nas residências, houve alta de 17% na movimentação.

Em relação aos cuidados com a privacidade, reforçado por Rafael Maciel, o Google destaca que todos os dados cedidos publicados nos relatórios foram agregados e tornados anônimos. Além disso, as informações passaram por um processo que a gigante de buscas chama de privacidade diferencial, com a inserção de um “ruído” aleatório, que não permite a individualização dos usuários.