O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, que foi transferido da Subdelegacia de Cocalzinho de Goiás, após episódio envolvendo a prisão de uma advogada, gravou um vídeo em que se despede da equipe com quem atuava. Ele foi removido para a 17ª Delegacia Regional de Polícia, em Águas Lindas de Goiás, por determinação da Delegacia-Geral. A medida consta na Portaria Eletrônica nº 189/2026, publicada na quarta-feira (22), em cumprimento a deliberação do Conselho Superior da Polícia Civil.
Nas imagens, que passaram a circular nas redes sociais, o delegado chora ao agradecer o apoio recebido durante o período em que atuou na unidade de Cocalzinho. Ao se dirigir aos colegas, afirmou que a reação não estaria ligada à medida administrativa. ““Essas lágrimas aqui não são pela injustiça feita, mas sim pelo imenso apoio. Eu fiz amigos. É raro eu chorar, acho que já chorei umas cinco vezes na vida. Obrigado pelo carinho e respeito da equipe policial e permaneçam firmes”, declarou.
A transferência ocorreu após repercussão do caso que envolveu a prisão da advogada Áricka Rosália Alves Cunha, detida dentro do próprio escritório após publicações críticas à atuação do delegado em rede social. A atuação policial motivou manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás, que apontou possível violação de prerrogativas profissionais.
No mesmo contexto, a Polícia Civil, ao transferir o delegado, também editou a Portaria nº 323/2026, que estabelece diretrizes para afastar a atuação de delegados em procedimentos nos quais haja envolvimento pessoal, com o objetivo de assegurar a imparcialidade na condução das investigações.
O caso
A advogada Aricka Cunha foi detida na tarde do último dia 15 de abril, dentro do próprio escritório por determinação do delegado da Polícia Civil Christian Zilmon Mata dos Santos, sob alegação de difamação. A prisão ocorreu após a divulgação, pela advogada, de trechos de um despacho de arquivamento relacionado a ocorrência policial, acompanhados de comentários críticos sobre o caso.
o conteúdo publicado fazia referência a documento oficial que indicava o arquivamento do procedimento por “fato atípico e falta de efetivo”, sem menção direta ao nome do delegado.
Imagens registraram o momento em que o delegado se dirigiu ao escritório da advogada e efetuou a prisão no local de trabalho. A profissional permaneceu detida até a noite, sendo liberada após pagamento de fiança fixada em R$ 10 mil.
Confira o vídeo de despedida



























