Escola Judicial de Goiás capacita 6 mil servidores e colaboradores do Judiciário com projeto de educação itinerante

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Ejug na Estrada do Conhecimento levou formação continuada às 115 comarcas goianas/Foto: Divulgação Ejug

Com salas de aulas móveis que percorreram todas as comarcas do estado de Goiás desde junho de 2024, a Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (Ejug) conclui a capacitação de mais de 6 mil servidores e colaboradores do Poder Judiciário, por meio do projeto “Ejug na Estrada do Conhecimento”, programa inovador de formação continuada que atendeu, em dois anos, os trabalhadores responsáveis pelo pleno funcionamento do sistema de justiça, desde os ocupantes dos mais altos cargos aos mais simples colaboradores, como jardineiros e copeiras.

A Ejug levou formação continuada às 115 comarcas goianas e capacitou mais de 6 mil pessoas, divididas entre servidores e colaboradores do Poder Judiciário, conselheiros tutelares e da comunidade. Considerada a maior iniciativa de educação corporativa do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), a ação percorreu mais de 50 mil quilômetros, somou mais de 4.700 horas de capacitação presencial e marcou o encerramento de um ciclo iniciado em junho de 2024.

Idealizado para descentralizar a formação oferecida pela Escola Judicial, o projeto levou salas de aula móveis diretamente aos fóruns do interior do Estado. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a Ejug estruturou uma metodologia baseada em planejamento coletivo das oficinas, formação dos formadores e oferta de conteúdos voltados às necessidades das unidades judiciárias.

Durante duas semanas em cada comarca, servidores e colaboradores, além de conselheiros tutelares e da comunidade participaram de oficinas formativas sobre temas relacionados ao desenvolvimento institucional e à melhoria da prestação jurisdicional. Dentre os conteúdos ofertados estiveram linguagem simples, comunicação não violenta, assédio moral, sustentabilidade, integridade, além de capacitações sobre os sistemas utilizados pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), como Proad, Projudi, Sigescon, Gestão à Vista, custas processuais, rotinas das áreas cível e criminal e mandado simplificado.

Estudantes

Analista Judiciário da comarca de Goiânia, Robson Vitor considera que a capacitação é “equação perfeita no âmbito do aprendizado, ao conjugar teoria com prática”. “Os colegas passaram a representar situações de atendimento: de um lado o jurisdicionado, do outro lado o servidor, justamente implementando o que foi ensinado pelos professores. O projeto traz conceitos que não são implementados unicamente no âmbito profissional, mas na vida. A comunicação não violenta, por exemplo, não é algo que deve ficar nas quatro paredes de uma Unidade de Processamento Judicial ou de uma Câmara Criminal, mas que nós devemos internalizar e trazer para a nossa vida”, diz.

A copeira Cleonice Marques, da comarca de Trindade, contou que teve medo quando viu chegar ao fórum a carreta com a sala de aula móvel e soube que teria de estudar novamente, “porque tenho pouco estudo e não sei nem ligar um computador”. “Eu já tinha falado que eu não ia fazer o curso porque eu tinha medo, não dava conta de mexer no computador. Aí o doutor me disse que eu não precisava ter medo porque ia ter gente lá para me auxiliar”, conta. Ela revela que recebeu ajuda do juiz da comarca, que pegou em sua mão e subiu junto a ela na carreta transformada em sala de aula móvel. “Depois fui achando mais fácil e até gostei de aprender”, completa.

A assessora de juiz Isabela Fernandes, da comarca de Goianira, observa: “Esse projeto facilitou muito a nossa vida porque quando fazemos um curso na modalidade EAD ou semipresencial acabamos por nos sabotar um pouco. Na modalidade presencial é diferente, conseguimos ter bem mais aproveitamento. Sem contar que é positiva a convivência com os professores, com os colegas. Eu gostei bastante”.

Além da formação presencial, o programa contribuiu para ampliar o acesso aos cursos da plataforma Educa Ejug, que registrou aumento de 80% nos acessos após o início do projeto, fortalecendo a cultura de aprendizagem contínua entre os profissionais do Judiciário.

Conforme observa a diretora da Divisão de Ensino da Ejug, Flávia Osório, responsável pela coordenação do projeto, “as oficinas ainda contribuíram para o fortalecimento dos comitês voltados à defesa dos direitos das mulheres e estimularam a elaboração da Carta de Serviços ao Cidadão, documento produzido pelos participantes com informações sobre os serviços prestados em cada comarca e compromisso com a transparência no atendimento à população”. Para ela, “o projeto demonstra que ampliar o acesso ao conhecimento, aproximando a Escola Judicial das comarcas, fortalece o desenvolvimento das equipes, incentiva a adoção de boas práticas e contribui para uma prestação jurisdicional mais célere, eficiente, inovadora e próxima da sociedade”, diz.

Com a conclusão da primeira etapa, a Ejug inicia o planejamento de uma nova fase do programa, voltada ao aprofundamento dos conteúdos, à atualização permanente das capacitações e ao fortalecimento das ações de desenvolvimento de pessoas em todo o Estado. A segunda etapa do programa, Ejug na Estrada do Conhecimento 2.0, terá como foco gestão judiciária e uso da ferramenta Agaia nos processos judiciais.

Confira como foi o projeto da Ejug