
O goiano Matheus Menezes, de 25 anos, afirmou ter sido eliminado do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) após não conseguir atingir o índice mínimo exigido no Teste de Aptidão Física (TAF). O candidato, que tem nanismo, sustenta que a prova foi aplicada sem qualquer adaptação para sua condição. Nas redes sociais, ele afirma ter sido vítima de discriminação.
Formado em Direito, Matheus relatou que conseguiu aprovação nas fases teóricas do certame, incluindo a prova objetiva, a discursiva e a prova oral, realizada em outubro de 2025. Segundo ele, a preparação para a carreira começou ainda em 2019, quando ingressou na faculdade motivado pelo objetivo de se tornar delegado.
De acordo com o candidato, antes da realização da etapa física foi encaminhado pedido à banca organizadora do concurso, a Fundação Getulio Vargas (FGV), para que houvesse adaptação do teste em razão da deficiência. Segundo ele, a solicitação administrativa não foi atendida.
Sem qualquer ajuste nas regras da avaliação física, Matheus participou da prova nas mesmas condições estabelecidas para os demais candidatos. A eliminação ocorreu na prova de impulsão horizontal, que exigia salto mínimo de 1,65 metro.
Nas publicações feitas em seu perfil no Instagram, ele afirma que a marca estabelecida seria incompatível com sua condição física. O candidato também relatou que outros concorrentes com deficiência teriam sido eliminados na mesma etapa do processo seletivo.
Nas manifestações divulgadas, Matheus citou a Lei nº 13.146/2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência e prevê igualdade de oportunidades e adaptações razoáveis em diferentes contextos. Ele também mencionou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 6.476, que tratou da possibilidade de adaptação de testes físicos em concursos públicos para candidatos com deficiência.
Ao final do relato, o candidato contou que já levou o caso ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), mas disse que a manifestação foi arquivada. Matheus criticou a decisão e afirmou que pretende continuar questionando o caso. “Não vou me calar”, escreveu em uma das publicações.
Nota da Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o candidato foi considerado inapto na etapa dos exames biofísicos. Segundo a corporação, o Teste de Aptidão Física está previsto no edital do concurso e tem como finalidade verificar se os candidatos possuem condições físicas compatíveis com as atividades do cargo de delegado. A instituição acrescentou que o certame segue as regras legais e que os critérios estabelecidos são aplicados a todos os participantes, inclusive candidatos com deficiência, desde que atendidos os requisitos previstos.


























