O 2º Censo Étnico-Racial da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) revelou que 46,5% das pessoas que integram a instituição se autodeclaram negras (pretas e pardas) e 51,3% se identificam como brancas. Os dados também mostram que mulheres representam cerca de 65% do quadro funcional, reforçando a tendência de feminização do serviço público. Produzido pela Subcoordenação de Questões Étnico-Raciais, Povos Originários e Tradicionais do Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH), em parceria com a Diretoria de Comunicação Social (Dicom), o levantamento alcançou 913 respostas, equivalente a 84% de adesão.
A divulgação dos resultados ocorreu nesta terça-feira (18/11), no mês da Consciência Negra, com o objetivo de fortalecer o compromisso institucional contra o racismo e orientar políticas internas de inclusão e igualdade racial. O defensor público-geral do Estado, Tiago Gregório Fernandes, destacou a importância do estudo para a definição de prioridades de gestão. “Que este censo seja nosso senso, suporte e sentimento para direcionamento de tantas pautas”, afirmou.
Ao apresentar o relatório, o defensor público Breno Assis, responsável pela coordenação do estudo e subcoordenador de Questões Étnico-Raciais do NUDH, ressaltou o caráter analítico da pesquisa, que vai além da coleta de informações. Ele enfatizou que o documento oferece um diagnóstico interno necessário para o aprimoramento das ações institucionais e para o fortalecimento da luta antirracista na Defensoria Pública.
A assessora de comunicação Vitória Santos, integrante do Grupo de Trabalho para a Igualdade Racial (GTIR) e uma das idealizadoras da pesquisa, observou que a consolidação dos dados marca um novo momento para a instituição. Segundo ela, o objetivo é que, a partir das informações coletadas, seja possível avançar na implementação de políticas capazes de ampliar a presença de pessoas negras nos espaços institucionais.
O formulário do censo foi aplicado entre 21 de agosto e 10 de outubro de 2025, abrangendo todos os vínculos funcionais, exceto voluntariado. Além de informações sociodemográficas, o estudo investigou experiências de discriminação, percepções sobre racismo institucional, escolaridade, renda e gênero. Durante o período de aplicação, a DPE-GO promoveu ações de letramento racial e campanhas educativas em suas redes sociais.
A pesquisa também chama atenção para a necessidade de cautela na interpretação da variável raça/cor. Conforme explicou Breno Assis, fatores como percepção individual, contexto social e uso de categorias não padronizadas — a exemplo de “morena/moreno” — podem influenciar a autodeclaração, provocando oscilações metodológicas conhecidas na literatura especializada.
Com base nos resultados, foram apresentadas recomendações estratégicas para curto, médio e longo prazo, entre elas o fortalecimento da formação continuada em letramento racial, considerada essencial para o enfrentamento ao racismo e para a consolidação de políticas institucionais de diversidade e inclusão.



























