“Vou apenas mudar de lado da mesa.” A frase resume a decisão do desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás Carlos Alberto França, que recentemente anunciou que se aposentará aos 60 anos, no próximo mês de outubro, após 35 anos dedicados ao Judiciário goiano. Em entrevista exclusiva ao Rota Jurídica, ele detalhou os motivos da escolha, falou sobre o legado construído e antecipou os planos para atuar na advocacia, mais especificamente na área cível.
“Então eu apenas vou mudar de lado da mesa, pois continuarei no sistema de justiça, agora dando minha contribuição como advogado”, afirmou.
França ingressou na magistratura em 1990, menos de um ano após se formar na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. São 35 anos de carreira, 15 deles como desembargador, além de dois mandatos na Presidência do TJGO e atuação no Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre).
Embora pudesse permanecer por mais 15 anos no TJ de Goiás até a aposentadoria compulsória por idade, França explicou que a decisão foi amadurecida em família.
“Já alcancei 42 anos de contribuição, somando o tempo de Judiciário e de iniciativa privada. Entendi que era a hora de respirar novos ares e enfrentar novos desafios, mas permanecendo no sistema de justiça”, disse.
Atuação futura
Ao projetar a nova fase, França afirmou que seguirá na área cível, em que construiu sua trajetória na magistratura.
“Durante toda a carreira atuei basicamente no cível. É natural que a advocacia siga nesse caminho, especialmente em temas empresariais, contratos, direito agrário e do agronegócio”, explicou.
Apesar disso, ele ainda avalia se atuará em escritório próprio ou em uma sociedade já existente.
Retorno às origens
O desembargador destacou que a advocacia não lhe é inteiramente nova. Logo após a formatura, chegou a abrir um pequeno escritório com colegas de faculdade e obteve a inscrição na OAB-GO.
“Nós tivemos oportunidade de montar um pequeno escritório, eu e mais três colegas de faculdade. Já tivemos essa pequena experiência, mas a minha vivência mais concreta de conhecimento da advocacia é nesses 35 anos como magistrado, com a convivência saudável e muito respeitosa com a advocacia”, relatou.
O que leva da magistratura para a advocacia
França ressaltou que a experiência de mais de três décadas na magistratura será fundamental para sua atuação como advogado.
“Tenho plena consciência de que a advocacia é desafiadora e exige muito do profissional. Mas acredito que a experiência adquirida no Judiciário contribuirá para a minha nova etapa”, destacou.
Segundo ele, o conhecimento do funcionamento do Judiciário, das dificuldades enfrentadas e da importância da atuação dos advogados é algo que ele levará consigo para continuar servindo à Justiça.
Quarentena e futuro
Por força da Emenda Constitucional nº 45/2004, o magistrado terá de cumprir o período de quarentena de três anos, ficando impedido de advogar na 2ª Câmara Cível do TJGO, onde foi titular.
“Isso não impede a minha atuação em outras áreas e graus de jurisdição, nem mesmo nos tribunais superiores. Apenas a minha atuação pessoal fica vedada no colegiado”, esclareceu.
Tentativa no STJ e legado
França também recordou que, em 2016, chegou a disputar uma vaga para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas explicou que a participação teve caráter mais exploratório.
“Na época, disputei para conhecer o procedimento, entender como era o processo de escolha e a campanha. Mas optei por não seguir adiante. Hoje, encerro meu ciclo no Judiciário e inicio uma nova jornada na advocacia.”
Ele lembrou ainda que ingressou no TJGO em 2010, com 45 anos, sendo um dos mais novos desembargadores da Corte.
Questionado sobre a possibilidade já levantada por muitos que acompanham sua trajetória profissional de voltar a disputar vaga em cortes superiores, França foi enfático:
“Seria honroso, mas optei por encerrar o ciclo no Judiciário e iniciar uma nova jornada na advocacia. Assim como muitos querem vir para o tribunal, eu sigo o caminho inverso, com a mesma disposição de servir à Justiça, agora como advogado.”

































