Juiz ouve 10 testemunhas do processo que apura assassinato de advogados em Goiânia

Marília Costa e Silva

A Justiça ouviu, na terça-feira (23), 10 testemunhas arroladas pela acusação e defesa do caso envolvendo as mortes de dois advogados em Goiânia. Marcus Aprígio Chaves, de 41 anos, e Frank Alessandro Carvalhães de Assis, de 47, foram assassinados em 28 de outubro do ano passado, dentro do escritório de advocacia onde os dois trabalhavam, no Setor Aeroporto, em Goiânia.

Marcus Aprígio Chaves, de 41 anos, e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, de 47

Foram denunciados pelos crimes Pedro Henrique Martins Soares, apontado como executor. Nei Castelli foi indicado como sendo o mandante. Hélica Ribeiro Gomes, namorada de Pedro, foi denunciada por ter passado a interagir com Cosme Lompa Tavares, intermediando o valor da recompensa a ser paga pela empreitada criminosa. Jaberson Gomes também foi contrato para praticar o crime, mas morreu em confronto com a Polícia.

Na audiência de ontem, realizada na 1ª Vara dos Vara Criminal dos Crimes Dolosos Contra Vida e Tribunal do Júri da Comarca de Goiânia, o juiz Eduardo Pio Mascarenhas ouviu seis testemunhas de defesa e quatro de acusação. Os quatro réus participaram do ato por videoconferência diretamente da Casa de Prisão Provisória, localizada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estão presos aguardando julgamento.

As quatro testemunhas de acusação preferiram ser ouvidas sem a presença de Nei Castelli. Segundo a denúncia oferecida pelo promotor de Justiça Geibson Rezende, da 83ª Promotoria da capital, ele teria encomendado as mortes em razão de as vítimas terem alcançado êxito em uma ação de reintegração de posse proposta contra a família dele, na qual coube pagar aos advogados, a título de honorários, o valor de R$ 4,6 milhões.

Nei Castelli foi preso acusado de ser o mandante dos crimes

Entre os ouvidos ontem, um assistente que trabalhava no escritório de advocacia onde o assassinato ocorreu, contou que os executores mataram com frieza. Ele disse que eles simularam um assalto. Os dois advogados foram mortos com tiros desferidos a curta distância. A testemunha reconheceu os executores.

Um amigo advogado amigo das vítimas também prestou depoimento. Ele disse que Castelli é perigoso. Conforme relatado ontem, a testemunha teria ouvido de uma das vítimas que esta tinha medo do acusado pelo seu histórico de contratar pessoas para ameaçar de morte seus desafetos e partes contrárias na disputa de terra.

Os assistentes de acusação, os advogados Luiz Alexandre Rassi e Tadeu Bastos, que acompanharam a oitiva das testemunhas ontem, afirmaram que o crime ocorreu mesmo em virtude de as vítimas serem vitoriosas em uma ação judicial que o acusado foi perdedor. “Ele demonstrou frieza. Os motivos foram fúteis e de cunho exclusivamente financeiro”, pontuaram.

A defesa do agricultor, por sua vez, tem sustentado que até agora não foram apresentados elementos concretos que demonstrem a participação de Castelli no duplo homicídio. Ontem o acusado insistiu na oitiva de mais três testemunhas de defesa, que não compareceram. Com isso, tanto ele quanto os outros três réus somente serão interrogados após os depoimentos delas. No entanto, a próxima audiência do caso ainda não foi marcada.

Atuação da defesa

Nei Castelli foi preso no dia 16 de novembro, em Catalão. Posteriormente, tentou várias vezes conseguir habeas corpus para deixar a prisão, mas até agora sem sucesso. O último recurso foi proposto no Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público Federal (MPF) enviou no dia 8 passado, porém, parecer contrário à soltura.

Pedro Henrique Martins seria o executor dos homicídios

O pedido de habeas corpus, apresentado ao Supremo no início de dezembro, contestava a ordem de prisão temporária decretada contra Nei Castelli ainda durante a fase de investigação do crime, antes do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. Na ocasião, o ministro Marco Aurélio, relator do caso, entendeu que a liberdade do então investigado não representava risco à obtenção de provas e determinou, liminarmente, a soltura do fazendeiro.

A decisão do Supremo não chegou a ser cumprida porque, entre a apresentação do HC e a concessão da medida liminar, Castelli foi denunciado à Justiça como mandante do duplo homicídio qualificado. A denúncia do Ministério Público de Goiás foi recebida pelo juiz de primeiro grau e a prisão temporária convertida em preventiva.

O crime

O crime aconteceu em 28 de outubro, por volta de 14h30. De acordo com as investigações e pelo depoimento prestado ontem por uma das testemunhas, dois homens agendaram horário com os advogados. Ao chegarem ao escritório, no Setor Aeroporto, eles entraram e esperaram.

Ainda conforme o relato, a secretária os levou até a sala dos advogados, momento em que os criminosos colocaram as vítimas de costas e disparam. Marcos Aprígio é filho do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Leobino Chaves, e Frank é filho do delegado aposentado Francisco de Assis. Um força-tarefa foi montada na época pela Polícia Civil, que encontrou identificou os mandantes por imagens de câmeras de segurança. Eles foram encontrados poucos dias depois no Tocantins. Pedro foi trazido para Goiânia e Geibson morreu em confronto com a Polícia.