Advogados de todo o País passam a contar com uma plataforma gratuita para verificar a existência de comandos ocultos em documentos jurídicos. A ferramenta, lançada pelo Colégio de Presidentes das Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em parceria com o Jusbrasil, foi desenvolvida para identificar indícios de prompt injection em petições e outros arquivos utilizados na rotina profissional. Para acessá-la, clique aqui.
A iniciativa busca ampliar a segurança no uso de sistemas de inteligência artificial no ambiente jurídico. A chamada prompt injection ocorre quando instruções são inseridas de forma oculta em um documento, com potencial de interferir no comportamento de ferramentas de IA que venham a processar aquele conteúdo.
Para o presidente da OAB-GO e coordenador do Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB, Rafael Lara Martins, a plataforma responde a uma necessidade concreta da advocacia diante do avanço da inteligência artificial. Segundo ele, a solução foi construída com foco em segurança, eficiência técnica, acessibilidade e proteção de dados.
“Essa ferramenta nasce da constatação de uma necessidade real da advocacia e segue parâmetros de segurança e acessibilidade. É uma solução tecnicamente eficaz e segura, do ponto de vista da proteção de dados. Esse equilíbrio entre inovação e responsabilidade orienta o trabalho”, afirmou Rafael Lara.
A presidente da OAB-BA e também coordenadora do Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB, Daniela Borges, destacou que a expansão do uso da inteligência artificial exige critérios de responsabilidade e mecanismos de prevenção. Conforme avaliou, a atuação institucional da OAB busca preservar a ética, a segurança jurídica e a integridade dos documentos e procedimentos judiciais.
A plataforma foi desenvolvida pelo Jusbrasil. De acordo com o cofundador da empresa, Luiz Paulo Pinho, a ferramenta foi criada para oferecer uma forma pública e gratuita de verificação, sem que os documentos submetidos sejam utilizados para treinamento de modelos de inteligência artificial.
A criação da solução ocorre após um caso que chamou atenção para os riscos da interação entre documentos jurídicos e sistemas de IA. Em maio deste ano, duas advogadas foram multadas após inserirem, em uma petição, comando oculto em texto branco sobre fundo branco, invisível à leitura humana, com a finalidade de influenciar ferramenta de inteligência artificial utilizada pela Justiça do Trabalho. Uma delas posteriormente foi inocentada pela OAB.
O episódio evidenciou a possibilidade de uso da prompt injection indireta, técnica em que comandos são inseridos em documentos que posteriormente podem ser analisados por sistemas automatizados. Embora a tentativa tenha sido identificada, o caso reforçou a necessidade de mecanismos preventivos para preservar a confiabilidade das análises feitas com apoio de IA.
Com a nova ferramenta, o próprio advogado poderá submeter previamente o documento à verificação antes do protocolo ou compartilhamento. A proposta é acrescentar uma camada de segurança à rotina jurídica, especialmente diante da expansão do uso de inteligência artificial por escritórios, tribunais e órgãos públicos.





























