Em meio às ações do Maio Laranja, campanha voltada à conscientização e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, o Ministério Público de Goiás lançou nessa quinta-feira (21/5) a ferramenta tecnológica Nêmesis, desenvolvida para auxiliar investigações de crimes sexuais praticados no ambiente virtual.
O software foi criado pela Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e pelo CyberGaeco, com apoio da Área da Infância e Juventude do Centro de Apoio Operacional (CAO Infância) do MPGO. A proposta é ampliar a capacidade de identificação, coleta e documentação de provas em investigações envolvendo exploração sexual infantil na internet.
Durante webinar de lançamento da ferramenta, a coordenadora-geral do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotora de Justiça Gabriella de Queiroz Clementino, afirmou que o projeto surgiu a partir de demandas práticas enfrentadas pelo órgão em investigações dessa natureza.
Segundo ela, o desenvolvimento começou na CSI, recebeu apoio institucional e foi posteriormente incorporado ao CyberGaeco até a conclusão do sistema.
“A ferramenta surgiu para resolver um problema concreto, com o objetivo de ampliar a identificação, a coleta e a documentação da materialidade delitiva em crimes que demandam atuação investigativa mais eficiente”, afirmou.
A promotora destacou ainda que o objetivo é compartilhar a tecnologia com outras instituições. “Não queremos que ela fique restrita. A ideia é disponibilizá-la para outros Ministérios Públicos, polícias e demais órgãos parceiros, nacionais e internacionais, somando esforços para ampliar os resultados no combate à exploração sexual infantil”, pontuou.
O coordenador da Área da Infância e Juventude do MPGO, promotor de Justiça Pedro de Mello Florentino, ressaltou que o lançamento ocorre em um cenário de aumento dos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital.
“A violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente virtual representa um grande desafio”, disse. Para ele, o enfrentamento exige atuação conjunta entre famílias, plataformas digitais e órgãos de investigação.
“Da mesma forma que pais e mães precisam saber para onde filhas e filhos vão, também precisam saber quais redes sociais acessam, com quem conversam e o que fazem no ambiente virtual”, observou.
Pedro Florentino também afirmou que o lançamento representa uma mudança institucional na prioridade conferida ao tema dentro do MPGO. “Além do avanço tecnológico, essa ferramenta representa a prioridade que a defesa dos direitos de crianças e adolescentes passou a ter dentro da instituição”, acrescentou.
A apresentação técnica do Nêmesis foi conduzida pelo coordenador do CyberGaeco, promotor de Justiça Fabrício Lamas Borges da Silva, e pelo agente da Polícia Civil Luiz Gustavo Santos Veríssimo, integrante da equipe responsável pelo desenvolvimento do sistema.
Segundo Fabrício Lamas, a ferramenta foi desenvolvida por uma equipe reduzida, mas voltada a oferecer respostas rápidas às demandas relacionadas aos crimes digitais.
“A ferramenta foi desenvolvida para fortalecer esse enfrentamento, buscando ampliar nossa capacidade de resposta”, afirmou.
Os responsáveis pelo projeto explicaram ainda que o Nêmesis foi criado para atuar de forma integrada a outras bases e metodologias já utilizadas pelos órgãos de persecução penal, sem substituir a análise técnica das equipes responsáveis pelas investigações.
“A tecnologia entra para potencializar a atuação dos investigadores, não para automatizar decisões”, destacou Fabrício Lamas.
Durante a apresentação, integrantes do CyberGaeco também alertaram para a necessidade de atualização constante diante da rápida transformação dos crimes digitais, especialmente em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos on-line, frequentemente utilizados para aliciamento e circulação de conteúdo ilegal.
O MPGO informou que o Nêmesis será apresentado nacionalmente durante o V Encontro Técnico Nacional de Forense Digital dos Ministérios Públicos Brasileiros, dentro da programação do Forensics Meeting 2026.
A instituição prevê disponibilizar a ferramenta, por meio de termos de cooperação técnica, aos Ministérios Públicos estaduais de todo o país, nos moldes do sistema Materializador de Evidências Digitais e Informáticas (MEDI), que já possui mais de 20 convênios de uso coletivo.
































