“Sofrência” tá na moda

O Brasil está passando por um tsunami e não uma marolinha. Escândalo de corrupção, escassez de água, apagões energéticos, demissões em massa, apenas para citar algumas

As empresas estão sentindo o impacto de gestões desastrosas e corruptas.

O setor de transporte que sofre há tempos com a falta de estrutura e impostos massacrantes padeceu com o aumento de custos com o advindo da lei 12.619/12, sem conseguir repassa-lo para o valor do frete.

Houve queda de 10% na receita, conforme informou o SETCEMG (sindicato das transportadoras do estado). Para Gladstone Viana, seu vice-presidente, “as empresas estão descapitalizadas, perderam a capacidade de investir na renovação da frota e, o pior, estão enfrentando dificuldades para o pagamento dos financiamentos de caminhões, adquiridos há dois anos ou três anos”.

Gladstone aponta empresas que “estão perdendo caminhões para aos bancos, enquanto estas mesmas não conseguem vender os veículos usados”. Afirma, ainda, que  “cerca de 90% das transportadoras no estado estão descapitalizadas”. Diante disso, as perspectivas para 2015 “não são boas porque o ambiente ainda é de incertezas no país e no estado”.

Especula-se que a procura por novos caminhões em 2015 será menor ainda do que foi em 2014, pois o setor passa por uma fase de desinvestimento.

Ao todo, foram vendidos 7.711 caminhões no mês passado, o que representa quedas de 42,9% se comparado a janeiro de 2014.

 O aumento da tributação sobre combustíveis veio para impulsionar a queda no setor.
 Com a elevação do valor do diesel, analistas preveem que pode haver migração do segmento rodoviário para o ferroviário, que é menos dependente do combustível.

As alíquotas de PIS e Cofins sobem R$ 0,22 por litro para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel no dia 1° de fevereiro.

A fadada Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) passa a vigorar em 1° de maio, quando a alíquota de PIS e Cofins recuará na mesma proporção, de forma que o aumento total de tributação para combustíveis seja mantido nos patamares mencionados.

O diesel representa cerca de 60% dos custos do frete por rodovias, sendo que o Brasil tem o combustível mais caro do mundo, cerca de 15% acima do cobrado no mercado internacional.

A previsão de aumento do custo de energia será um complicador a mais.

Tais dados se referem apenas ao setor de transporte, mas sem dúvida outros setores da economia não estão tendo melhor sorte.

Deve ser este o motivo que levou o “sofrência”,  estilo musical que mistura sofrimento e carência,  a ser o “hit” do próximo carnaval.

 *Ludmilla Rocha Cunha Ribeiro, pós-graduada em Direito Público, Direito e Processo do Trabalho, L.LM em Direito Empresarial pela FVG, Advogada e Gerente Jurídica da Quick Logística.