Conciliação

Outro dia uma empresa foi intimada para uma audiência de conciliação na qual estariam presentes nove reclamantes, sob o patrocínio do mesmo advogado.

Todos os processos estavam em fase de execução e a empresa pensou ser uma ótima oportunidade para findá-los.

Chegando ao local, um minúsculo fórum trabalhista, situado no centro de uma pequena cidade no interior do estado de São Paulo, a representante da empresa deparou-se com uma aglomeração.

Percebia-se uma movimentação de pessoas alvoroçadas,crianças, jovens, adultos e idosos cochichavam pelos cantos, faziam reuniões nas calçadas lideradas pelo Doutor Advogado.

Chegado o momento da audiência, foi chamado apenas um representante dos reclamantes e seu advogado.

Logo no início a proposta da empresa foi rechaçada e ridicularizada. Foi dado o veredito pela magistrada: -Não aceito diminuir nem um centavo do valor que está sendo executado!

Todos os outros reclamantes foram chamados.

O advogado dos reclamantes como um justiceiro decretou: – iremos parar esta empresa. Quero ver se não vão pagar rapidinho!

A juíza, mais do que depressa, ditou: -determino o bloqueio de circulação dos veículos da empresa.

E ela não falou de um, dois, três…se referia a todos os veículos da empresa, que diga-se de passagem é do ramo de transporte.

Ainda tentou-se argumentar, como novas propostas, inclusive sem a redução do valor da execução.

Mas com a certeza de que o pedido de parar a empresa seria atendido, ninguém queria compor.

A sede por vingança era maior que a vontade de receber o que supostamente lhe era devido.

Pois bem, uma Justiça que tem no seu DNA a proteção de uma das partes, por vezes comete injustiças e penaliza as empresas com condenações absurdas e sem fundamentação.

Mesmo nesta Justiça a atitude da magistrada causou espanto.

Chantagem não é meio de execução, mas não iremos discutir a legalidade de tal ato.

Por fim, saíram todos da sala de audiência. O justiceiro com o seu propósito atendido era ovacionado por seus protegidos. O burburinho era ensurdecedor. A satisfação era tamanha que tomou conta do ambiente.

Iriam parar a empresa, centenas de pessoas seriam prejudicadas, mas quem se importa?

Davi derrubou Golias.

Ou melhor, quem é Davi na Justiça do Trabalho?

*LUDMILLA ROCHA CUNHA RIBEIRO, Advogada, pós-graduada em Direito Público, Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, L.LM em Direito Empresarial pela FGV (em curso).