Mirelle Gonsalez Maciel*
Neste dia 02 de dezembro, celebramos aqueles que sustentam uma das missões mais desafiadoras do Estado Democrático de Direito: os advogados criminalistas.
Mas hoje, especialmente, devemos celebrar as mulheres criminalistas, que transformam coragem em ofício e resistência em caminho.
Em um universo historicamente masculino, cada mulher que veste a beca criminal rompe muros invisíveis.
Enfrenta olhares desconfiados, subestimações sutis, julgamentos que nada dizem sobre sua capacidade — mas dizem muito sobre a estrutura que ainda precisamos transformar.
Ainda assim, elas avançam.
Entram nos espaços onde poucos desejam estar.
Enfrentam narrativas prontas, julgamentos precipitados e o preconceito barulhento dos “juízes” da internet.
E fazem isso com técnica, firmeza, dignidade — e uma sensibilidade que acolhe dores profundas e histórias marcadas pela vulnerabilidade.
Porque a mulher criminalista não apenas domina o Direito: ela o humaniza.
Ela escuta com atenção o cliente desesperado na madrugada, sustenta oralmente com voz segura aquilo que muitos temem pronunciar e lembra, incansavelmente, que todo ser humano merece defesa plena e digna.
É ela que se coloca entre o cidadão e o poder punitivo do Estado, quem cobra provas, quem questiona abusos, quem resiste ao desequilíbrio estrutural do processo penal.
Mesmo quando não é ouvida, ela permanece.
E permanecer — no cenário penal — é um ato diário de coragem.
As mulheres criminalistas carregam a dupla batalha: a defesa técnica do acusado e a defesa de si mesmas contra estigmas, rotulações e preconceitos que tentam, mas não conseguem, diminuir sua grandeza.
E, apesar disso, seguem ocupando bancas, liderando equipes, enfrentando júris complexos, sustentando teses com precisão e humanidade.
São farol em meio ao caos, firmeza em meio ao barulho, sensibilidade em meio ao sofrimento.
A presença feminina na advocacia criminal não é complemento: é avanço, é virada de chave, é revolução silenciosa.
Celebramos sua força, sua voz, sua persistência.
Celebramos cada espaço conquistado, cada narrativa desconstruída, cada direito reafirmado.
Que sigamos rompendo estigmas, inspirando gerações e lembrando ao mundo que: a advocacia criminal é feita de coragem — e as mulheres são uma das suas maiores expressões.
Parabéns às mulheres criminalistas — hoje e sempre.
*Mirelle Gonsalez Maciel é advogada criminalista, com 18 anos de atuação. Presidente do interior da Comissão Estadual do Tribunal do Júri da OAB-GO; conselheira seccional OAB-GO. Membro da Comissão Nacional Especial do Tribunal do Júri. E copresidente UNNA/GO.

























