Operação Grande Famiglia: MP apresenta denúncias contra 21 pessoas por fraudes em licitações

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco),  do Ministério Público de Goiás (MP-GO), ofereceu, na sexta-feira (11), denúncias em desfavor de 21 pessoas, 19 delas apontadas como integrantes de uma organização criminosa formada para  supostamente fraudar licitações e praticar lavagem de dinheiro. As denúncias são resultado da Operação Grande Famiglia, deflagrada em 12 de agosto passado.

A investigação do MP indica que uma mesma família mantinha diversas empresas e simulava competição em procedimentos licitatórios na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e em secretarias dos municípios de Goiânia e Aparecida de Goiânia. O esquema rendeu à organização criminosa contratos avaliados em mais de R$ 50 milhões.

Os integrantes do Gaeco apontam, nas denúncias, a existência de um líder e de quatro núcleos. “O núcleo dos laranjas, que cederam seus nomes para a constituição de empresas destinadas a fraudar licitações e corromper servidores públicos; o núcleo operacional, com pessoas que efetivamente organizavam as fraudes, comparecendo aos certames; o núcleo contábil, que atuava fazendo as jogadas entre as empresas para que uma sempre pudesse concorrer na condição de microempresa por meio de qualificações fraudadas; e o núcleo político, que dava sustentação para que a organização criminosa operasse nos serviços públicos por cerca de 20 anos”, explica o promotor de Justiça Sandro Henrique Silva Halfeld Barros.

O trabalho de investigação levou cerca de dois anos e é baseado em documentos e interceptações telefônicas constantes nas denúncias. Sandro Barros reforça que a organização criminosa é constituída por empresas, que visam dar aura de legalidade à atividade, “mas, ocultamente, seus integrantes praticam diversos tipos de crimes.”

A organização criminosa foi beneficiada no procedimento de compra de cestas básicas para que o Município de Goiânia distribuísse às pessoas que tiveram perdas econômicas durante a pandemia. Trata-se de uma dispensa de licitação no valor de R$ 5 milhões. “Essa organização foi contratada, com dispensa de licitação, para fornecer cestas básicas para o Município de Goiânia durante a pandemia, mas era uma empresa de fachada, que não tinha um empregado sequer. Funcionários de outras empresas é que montavam as cestas”, pontua Sandro Barros.

Como o grupo atuou por cerca de 20 anos, parte das condutas criminosas já prescreveu. Outra parte, afirma o promotor, segue em investigação e será denunciada posteriormente. Fonte: MP-GO