
Se fosse nos tempos de César…
A história se passou no ano 62 a.C.
Conta-se que Pompeia Sula, esposa de Júlio Cesar, organizou no dia 1º de maio a festa de Bona Dea – Boa Deusa – festa exclusiva para mulheres.
Acontece que a esposa de Júlio Cesar, jovem e bela, despertou o interesse em Publius Clodius, jovem rico, apaixonado e bastante atrevido.
Sabendo da festa, Publius vestiu-se de mulher, disfarçando-se de tocadora de lira e, clandestinamente, entrou na festa na esperança de conquistar Pompeia.
Antes de sequer tentar algo, a mãe de Júlio Cesar, Aurélia, descobriu o intruso.
A história se alastrou no império romano no mesmo dia. Todos comentavam o que havia acontecido.
Júlio Cesar então, chamado a depor como testemunha no evento que apurava o ilícito cometido pelo jovem Publius Clodius, disse que nada sabia, sobre o fato, razão pela qual pedia a absolvição do jovem apaixonado.
O Tribunal indagou de Júlio Cesar por qual motivo então ele havia, de imediato, se divorciado de Pompeia, tendo ele respondido: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”.
Dessa história surgiu a máxima que diz que “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
Toda essa história pode – e deve – ser aproveitada integralmente para aqueles que exercem funções públicas. Para aqueles que agem em nome da sociedade. Para aqueles que representam todos nós.
O homem público, tristemente envolvo em escândalos, enxovalhado, desmoralizado, mantêm-se ali, muitas vezes silente, muitas vezes arredio e acanhado, na crença, tão infeliz quanto verdadeira, de que no Brasil não há escândalo que dure muito nem memória que os guarde.
Vez ou outra chega-se a questionar se errados estão os orientais, que envoltos em escândalos, imediatamente renunciam seus cargos, afastam-se da vida pública, penitenciam-se publicamente.
Chegará o dia que veremos isso em terra brasileira? Ou viveremos o triste vaticínio de Caetano. (”… Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica que sempre precisará de ridículos tiranos”). Inclusive, em rechaçar o que há de errado?
*Ludmilla Rocha C. Ribeiro, Advogada, Pós-Graduada em Direito Público e em Direito e Processo do Trabalho, L.LM em Direito Empresarial pela FGV (em curso)