Ferramentas digitais podem ajudar a conquistar novos clientes no mercado jurídico

O passo mais importante de qualquer mercado e que determina a prosperidade do negócio, independentemente do ramo de atuação é: conquistar novos clientes. Seja em uma nova empreitada ou para conseguir se manter e melhorar os resultados, alavancar vendas passa por atrair pessoas ou empresas interessadas no que você tem a oferecer.

Aplicando essa lógica no ramo jurídico, a busca por clientela oferece uma barreira a mais, seja para advogados que atuam individualmente ou para escritórios. Existe uma série de limitações para ações de marketing e publicidade que são regulamentadas pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Código de Ética da instituição, que têm o objetivo de evitar que o exercício do direito seja publicitado como uma atividade mercantil.

Diferentemente de países europeus e os EUA, que têm liberdade maior para usar de artifícios publicitários, o Brasil é bastante restritivo em relação à forma como advogados podem ou não divulgar seus serviços e chegar aos seus clientes. É rara, e até pode-se dizer ausente, a veiculação de comerciais e propagandas de advogados e escritórios na TV, por exemplo.

Uma das ações permitidas, porém, é o uso de redes sociais e anúncios pagos nessas plataformas digitais. Mesmo o que é autorizado pela OAB, contudo, vem com uma ressalva, para prezar pela sobriedade e discrição, sem elementos que sejam espalhafatosos ou extravagantes. Todas as restrições e normas estão explícitas no Código de Ética e Disciplina (CED) da OAB e Provimento 94/2000.

Segundo o quadro de advogados da OAB, atualizado diariamente, o Brasil conta com mais de 1,2 milhão de advogados em atividade, o que representa um profissional para cada 160 habitantes. Para pessoas jurídicas, o número de advogados equivale um para cada 16 das 19,2 milhões de empresas abertas ativas no país, segundo a Receita Federal.

Diante dos desafios de divulgação enfrentados por esses milhares de profissionais do país, a tecnologia aparece como uma estratégia positiva e de grande ajuda para o setor angariar novos clientes e aumentar o faturamento. Ferramentas de prospecção ativa e inteligências artificiais são algumas das soluções que podem ser usadas para tornar a atividade de advocacia mais moderna, além de ampliar os horizontes de atuação.

Aplicando tecnologia na atividade jurídica

Como todo desafio necessita de insumos e aliados, a tecnologia se oferece como a principal ferramenta para o setor jurídico continuar existindo e se renovar, independentemente de sua área de atuação.

Maucir Nascimento, cofundador da Speedio, uma plataforma de Big Data para geração de leads B2B, explica como é possível usar desse mecanismo para conseguir novos clientes.

“É possível prever quais empresas têm mais probabilidade de terem problemas jurídicos de algumas naturezas específicas e, portanto, antecipar essas necessidades. O universo de inteligência artificial é enorme e tem múltiplas aplicações nesse segmento”, diz.

Soluções tecnológicas na área do direito têm ganhado força nos últimos anos, muito por consequência do surgimento das chamadas lawtechs, que são startups que nasceram com o propósito de oferecer otimização do tempo e automação de algumas atividades jurídicas através de softwares e ferramentas digitais.

Entre as ferramentas úteis para o setor estão ainda sistemas capazes de armazenar e atualizar informações imprescindíveis, como processos pendentes, sites de tribunais, dados de clientes, tudo em tempo real, dependendo da configuração e necessidade de cada escritório. Esses tipos de softwares colaboram com a eficiência e agilidade no trato de informações no cotidiano jurídico, deixando o trabalho repetitivo a cargo do sistema e possibilitando aos advogados focarem na parte que requer habilidade técnica.

Ferramentas para prospectar clientes no setor jurídico

Já para o setor comercial do exercício da advocacia, existem outros formatos de ferramentas que podem ajudar os escritórios a atrair mais clientes. Utilizando a mesma premissa de organizar dados e informações, é possível prospectar potenciais clientes com maior eficiência, o que pode garantir assertividade no contato, sem esbarrar em problemas com leis de uso de dados ou o próprio código de ética. Para isso, as plataformas de geração de leads podem ser extremamente úteis porque oferecem benefícios como:

Big Data

O Big Data se coloca como uma alternativa interessante para saber onde encontrar um cliente que esteja procurando exatamente pelo serviço oferecido pelo advogado que o contata. Através de um grande banco de dados, com as informações precisas, é possível ir direto ao ponto, o que pode ser decisivo para o sucesso da prospecção. É o que argumenta Diogo Públio, CEO e cofundador da Speedio.

“Imagine que um escritório de direito tributário pode prospectar diretamente empresas que precisam de ajuda com as suas questões tributárias. É a solução sendo apresentada diretamente para quem tem o problema. Ou seja, por meio dessas ferramentas é possível saber quais empresas têm dívidas tributárias e trabalhistas”, aponta.

Melhora nas taxas de abertura de e-mail e conversão de negociações

A tecnologia de Big Data das plataformas de geração de leads oferece informações valiosas relativas a possíveis clientes de um escritório de advocacia. Esses dados em conjunto com soluções adequadas e personalizadas de abordagem podem gerar benefícios como o aumento da taxa de abertura de e-mails de 17% para 30%, de acordo com Maucir.

Além dos e-mails, também existe benefício para as chamadas “cold calls”, que são ligações entre uma pessoa que pretende oferecer um serviço ou produto e um cliente que nunca tiveram contato prévio. A conversão de negócios fechados desse tipo de ligação pode sair de médias de 6,3% (quando soluções genéricas são utilizadas) para 25%, caso a personalização correta seja adotada.

Decisores

O sistema de Big Data para geração de leads B2B consegue aproximar o escritório de advocacia ou o advogado de um decisor de um empreendimento.

A partir desse “encurtamento” da distância, já que é possível se dirigir diretamente a quem finaliza a negociação, é possível também poupar um tempo valioso. Maucir comenta que esse tempo – único ativo que não é possível recuperar – pode ser utilizado pelos profissionais do direito para atuar em atividades que realmente exigem atenção e supervisão.

LGPD

Outro ponto importante que as empresas do ramo jurídico devem se atentar é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que discorre sobre a utilização de informações das pessoas por terceiros. Maucir explica que casos de negócios entre empresas contemplam a legislação.

“Existem ramos que realmente têm mais restrições por meio de seus conselhos, como a contabilidade e advocacia. Entretanto, a LGPD apresenta as mesmas limitações à todas as empresas. Não se pode prospectar pessoas físicas sem os seus consentimentos e nem utilizar dados de fontes que não sejam públicas”, detalha.

Dessa forma, ferramentas digitais chegam para fazer parte de um momento crucial de renovação digital dentro de um ramo de atuação tão tradicional e sóbrio, mas que se mostra cada vez mais aberto a reconhecer as novas tecnologias como aliadas.

“Nesse novo momento de proteção aos dados, contar com uma ferramenta que se adequou à lei pode se tornar um grande diferencial para os escritórios de advocacia.” finaliza.