Advogado Alex Neder fala sobre os sete meses em que participou da defesa do médium João de Deus

Alex Neder integrou a equipe de advogados de João de Deus atuando em Goiás na representação do médium

O criminalista Alex Neder, goiano que integrava a equipe de advogados de João de Deus, acusado de abuso sexual por frequentadoras da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, fala com exclusividade ao Rota Jurídica sobre o tempo que integrou a defesa do médium. Após sete meses de trabalho, o grupo de nove advogados deixou o caso na última quarta-feira (24/07). Segundo Neder, essa foi uma opção tomada em conjunto pelos profissionais e que o primeiro a ser comunicado foi o próprio João de Deus.

Neder observa que, ao ser comunicado sobre a decisão dos advogados, o médium entendeu os motivos da equipe e chegou a insistir para que os profissionais continuassem no caso. O advogado ressalta que, no mesmo dia em que foi apresentada a renúncia, ele e o advogado Renato Martins foram a Abadiânia para realizar audiência de oitiva dos peritos, em defesa do médium, “com a mesma tenacidade e zelo de sempre”. O advogado goiano diz que, após a nossa renúncia, a equipe continuará atuando nos dez dias subsequentes cuidando de todas as ações do constituinte como prevê a lei.

O advogado goiano conta que foi convidado pelo colega Alberto Zacharias Toron a integrar a equipe para o suporte do caso em Goiás e na capital do Estado. Assim, passou a desenvolver os trabalhos necessários para a defesa do médium João de Deus em delegacias, oitivas perante o Núcleo de Custodia e na própria sede o Ministério Público de Goiás, referentes aos Procedimentos de Investigações Criminais (PICS), que posteriormente vieram a se transformar em ações penais.

Quando Neder iniciou seu trabalho no caso, diz, ainda não havia nenhuma denúncia, apenas um decreto de prisão. Hoje, existem 13 ações, todas com defesas robustamente apresentadas, com a realização de 93 audiências em todo o país. O causídico conta que, no período em que atuou na defesa do médium, ia diariamente ao Núcleo de Custódia, sendo que a equipe esta toda esteve concentrada na tentativa de obter a liberdade de João de Deus.

No período de sete meses, Neder explica que foram impetrados habeas corpus perante o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em que o advogado Alberto Toron fez duas sustentações orais. Posteriormente, a defesa apresentou mais três habeas corpus em que as sustentações orais foram feitas por Neder. Em um deles, foi revogado um dos mandados de prisão, por meio do voto do desembargador Ivo Favaro, da 1ª Câmara criminal do TJ-GO.

Essa decisão, conforme Nedes, revogou o mandado de prisão de João de Deus e de seu filho Sandro. O médium não foi colocado em liberdade por haver mais dois outros decretos de prisão. Na ocasião, os advogados buscaram a soltura também no STJ e no STJ, sendo que ainda existem recursos dessas impetrações pendentes de julgamento.

Prisão
Sobre a prisão de João de Deus, Neder expressa a opinião de que a medida é totalmente absurda e desnecessária. Para ele, a grande mídia criou uma comoção social, que tem influenciado negativamente e diz que cabe aos juízes não se deixarem influenciar por esse movimento. Porém, conforme ressalta, parte dos magistrados acaba por sucumbir a isso.

“Embora seja acusado de diversos crimes, nenhum dos fatos imputados a ele demonstra  que ele agiu com violência ou grave ameaça, o que retira por completo qualquer risco social que justifique a manutenção a prisão”, diz.

Neder observa que, como foi dito em nota enviada à imprensa, trata-se de um idoso, de 77 anos, com problemas cardíacos sérios. Além disso, retirou metade do estomago, perdeu mais de 70 quilos desde que foi confinado ao cárcere e que tem caído diversas vezes na prisão. “O que é um risco muito sério de vida. Ele deveria estar em casa, com uma tornozeleira eletrônica ainda que em prisão domiciliar sendo tratado com dignidade, pois a prisão não tem condições de cuidar de uma pessoa nessas condições”, completa.

Com a saída da equipe do caso, os comentários são de que João de Deus perderia suas chances de conseguir decisões positivas. Porém, Neder diz que isso não é verdade. O advogado lembra que as pessoas pensavam isso desde o inicio, com o sensacionalismo midiático. Ele ressalta que, do ponto de vista jurídico, é uma causa complexa e difícil, mas a equipe estava prepara para enfrentar esses desafios. “Fizemos nesses sete meses uma defesa robusta, solida e muito técnica que bem administrada doravante poderá gerar excelentes resultados para o senhor João de Deus, do ponto de vista jurídico”, salienta.

Experiência
Neder avalia que atuar no caso foi uma experiência muito boa, para ele e para sua assistente, a advogada Luciana Valle, que muito contribuiu. O advogado ressalta que uma equipe como a do escritório de Alberto Toron não é fácil de se conseguir, são profissionais competentes, sérios, disciplinados e muito preparados, que realizou até o momento um grande trabalho.

“Sinto muito orgulho de fazer parte dessa equipe, e torço agora pelo futuro do senhor João de Deus. E espero que esse punitivismo exarcebado se arrefeça e passem a enxergar nele um semelhante que merece respeito à sua dignidade física e psíquica, como determina todas as regras do estado democrático de direito”, finaliza.