Advogadas vão representar trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão em Abadiânia

Os trabalhadores tinham acomodações precárias

Advogadas de Goiânia vão representar 11 trabalhadores resgatados pela Polícia Civil em condições de trabalho semelhantes à escravidão, em Abadiânia, a cerca de 90 quilômetros de Goiânia, no Entorno do Distrito Federal. Os operários foram encontrados na última segunda-feira (26), em uma plantação de eucalipto, após uma denúncia anônima.

O grupo agora está instalado em hotel no município e nessa quarta-feira (28) recebeu o apoio de assistentes sociais. “As condições eram absolutamente degradantes, de dar dó”, relata a advogada Lídia Alves. “As vítimas estão com medo e estarem sofrendo ameaça”, completa Larissa Monteiro.

Os trabalhadores trabalhavam sem qualquer direito a descanso. Mesmo assim, todos estavam com salários atrasados e tiveram seus documentos retidos pelo patrão, com a promessa de que teriam carteira assinada. Vindos do Maranhão, não tinham a menor condição de se manterem fora da fazenda ou mesmo voltar ao seu Estado.

Entre as irregularidades encontradas, conforme as advogadas, está a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) para o manuseio de motosserras, colocando a integridade física dos trabalhadores em risco. Sem vestimenta adequada, alguns trabalhavam de chinelos ou mesmo descalços.

A investigação do caso está a cargo da delegada Isabella Joy Lima, da Polícia Civil. Já as advogadas das vítimas informaram que vão ofertar atuar em conjunto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Instalações onde estavam foram consideradas inadequadas

Nem água, nem comida

Os abusos não param por aí. Os homens contaram que ficaram oito dias sem água potável para beber e viviam em instalações precárias, dormindo em colchões amontoados no chão, e sem banheiro.

A alimentação também era cerceada. As vítimas relataram que eram forçadas a trabalhar aos domingos, no corte dos eucaliptos, em troca apenas do almoço ou jantar. Caso contrário, precisavam pagar R$ 15 pelo prato de comida.

O fazendeiro, que não teve o nome revelado pela polícia, foi preso em flagrante e está detido no presídio de Alexânia, uma vez que o crime de redução de trabalho à condição análoga à escravidão não tem fiança. Se condenado, pode pegar entre dois e oito anos de prisão por cada vítima, além de pena correspondente a eventual violência praticada contra a vítima.